DÍLI, 17 de novembro de 2025 (TATOLI) – O Embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Alves, realizou, esta terça-feira, a sua primeira visita ao Consultório da Língua para Jornalistas (CLJ), onde se reuniu com a Coordenadora-adjunta, Elísia Ribeiro, com os formadores e com os revisores e na presença do Diretor-Geral da Secretaria de Estado da Comunicação Social (SECOMS), Florindo Costa, e da Adida para a Cooperação, Ana Pereira, para tomar conhecimento das especificidades do projeto.
A difusão da língua portuguesa
Intervindo, Duarte Alves louvou o trabalho do CLJ e inseriu o papel deste projeto num quadro maior de desenvolvimento da língua portuguesa onde, a seu ver, haveria interesse em envolver outros países da CPLP, começando por aqueles que já têm Embaixadores residentes em Timor-Leste, Angola e Brasil, com quem, disse o Embaixador, já foram iniciados contactos.
Para o recente Embaixador, que avisa ainda estar a tomar conhecimento dos projetos em que Portugal está envolvido e aqueles que, não estando, manifestam interesse em difundir o português, o uso desta língua tem que ser assumido numa vertente mais dinâmica, interpenetrada e longitudinal: desde o ensino inicial do português – escolas CAFE – passando pelas escolas confessionais que, voluntariamente, investem no ensino da língua portuguesa, até ao ensino superior, em especial a Universidade Nacional Timor Lorosa’e e a Universidade de Díli.
De facto, segundo Bué Alves, a promoção da língua portuguesa no país envolve múltiplas dimensões – desde o ensino pré-escolar até ao ensino superior – e o apoio à formação de jornalistas constitui uma peça central dessa estratégia.
A relevância do Consultório da Língua para Jornalistas
Defensor de um jornalismo pluralista, rigoroso e independente, situou o percurso do CLJ como estando na mira daquele ideário jornalístico. “Fazemos este trabalho, porque acreditamos que a imprensa livre, sólida e robusta é uma condição essencial para um Estado de direito democrático. Trabalhar com jornalistas e com órgãos de comunicação social é também fortalecer esse pilar fundamental da democracia, tanto em Portugal como em Timor-Leste”, afirmou.
Durante a visita, o diplomata destacou o “trabalho extraordinário” desenvolvido pelo CLJ desde a sua criação, sublinhando que o projeto é uma componente essencial da cooperação bilateral entre Portugal e Timor-Leste no domínio da língua portuguesa e da formação de profissionais da comunicação social.
Neste quadro, revelou que, após a análise dos números, testemunhos e contributos recolhidos, incluindo os que emergiram do workshop realizado em outubro no Centro Cultural Jorge Sampaio, com representantes de vários órgãos de comunicação, estão em discussão, entre a Embaixada Portugal em Timor-Leste e o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, os contornos da 3.ª fase do CLJ, prevista para começar no próximo ano.
“Vamos pegar em todos esses elementos, produzir um relatório e refletir sobre o modelo que o projeto deverá ter em 2026. Queremos que seja ainda melhor e mais eficaz no cumprimento dos seus objetivos”, declarou o diplomata, destacando os méritos já alcançados, incluindo a formação de jornalistas distinguidos com prémios nacionais de jornalismo.
Ouvindo uma resenha do trabalho do CLJ nos últimos anos, o Embaixador ressaltou ainda os resultados alcançados. Concretamente, desde 2017, o CLJ já procedeu à revisão de cerca de 25 mil textos jornalísticos em língua portuguesa, número que classificou como “impressionante” e demonstrativo do sucesso do projeto.
Além de agradecer o trabalho dos profissionais timorenses, o Embaixador deixou também uma palavra de incentivo. “Não há Estado de direito democrático sem jornalistas e sem uma imprensa livre. O trabalho que desempenham é fundamental para a sociedade e esperamos que este projeto continue a reforçar esse papel”, afirmou.
Por sua vez, a Coordenadora-adjunta, Elísia Ribeiro, apresentou ao Embaixador o percurso do CLJ desde 2016, incluindo atividades de formação inicial e contínua, revisão linguística, produção de materiais didáticos e apoio aos órgãos de comunicação social.
Recordou que o projeto se encontra atualmente na sua segunda fase, com término previsto para 31 de dezembro e que a 3.ª fase está em processo de reflexão e elaboração.
Relativamente ao nível de proficiência em português dos jornalistas timorenses, Elísia Ribeiro considera que há evolução. “Desde 2021 noto que os jornalistas cometem cada vez menos erros. Muitos têm feito formação connosco e isso reflete-se nos textos que escrevem”.
A responsável, corroborando o Embaixador e a Adida para a Cooperação, explicou ainda que, neste momento, decorrem também discussões entre o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e a Secretaria de Estado da Comunicação Social para se assegurar a continuidade do projeto. Embora as atividades ainda não estejam definidas, a formação linguística e a revisão de textos devem manter-se como pilares centrais.
Notícia relevante: Expedito Ximenes: CLJ é referência incontornável na formação dos profissionais da comunicação social
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




