DÍLI, 27 de outubro de 2025 (TATOLI) – O consumo médio anual de peixe em Timor-Leste aumentou de 6,1kg por pessoa em 2011 para 8,7 entre 2024 e 2025, segundo o Inquérito Nacional ao Consumo de Peixe (FCS, em inglês), lançado esta segunda-feira pelo Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas (MAPPF).
Conduzido pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INE-TL), o estudo contou com a colaboração do Ministério da Saúde, do MAPPF, da Unidade de Missão para o Combate ao Nanismo (UNMICS), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da WorldFish e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
“Este inquérito é fundamental, porque precisamos de saber o nível real de consumo de peixe no país. A média mundial definida pela FAO é de 20kg anuais por pessoa, e o nosso objetivo nacional é atingir os 10kg”, afirmou o Ministro da tutela, Marcos da Cruz, durante a apresentação dos resultados em Comoro, Díli.
O aumento do consumo reflete uma maior preferência da população por peixe, proveniente tanto da pesca local, marítima e continental, como das importações. Apesar do progresso, Timor-Leste continua abaixo da meta governamental e muito aquém da média de outros países insulares do Pacífico, onde o consumo varia entre os 47 e 126 kg anuais por pessoa.
Segundo o estatístico Joanico José Freitas, do INE-TL, o inquérito foi realizado a pedido do Governo à FAO em 2022 e decorreu entre 2024 e 2025, com o objetivo de avaliar os progressos no âmbito do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (ODS 2) — erradicar a fome e melhorar a qualidade nutricional das dietas.
No total, foram entrevistadas 4.200 famílias no território. A recolha de dados decorreu nas estações seca e chuvosa, utilizando materiais visuais desenvolvidos com o apoio da FAO e da WorldFish, que ajudaram as famílias a identificar as espécies de peixe e a estimar as quantidades consumidas.
“A metodologia inovadora permitiu melhorar a qualidade dos dados e tornar o processo mais rápido e preciso, sobretudo junto de comunidades com elevados níveis de analfabetismo”, explicou Joanico Freitas.
Setor das pescas com potencial de crescimento
A Representante da FAO em Timor-Leste, Paula da Cruz, destacou o potencial do setor das pescas para impulsionar o desenvolvimento económico inclusivo, reforçar a segurança alimentar e melhorar a nutrição das famílias timorenses.
“Com recursos marinhos ricos e uma procura crescente por alimentos nutritivos, o setor das pescas pode tornar-se um motor de crescimento sustentável, sobretudo nas comunidades rurais e costeiras”, sublinhou.
A responsável lembrou ainda que políticas e investimentos eficazes se devem basear em dados fiáveis e evidências sólidas. Por isso, a FAO tem reforçado a cooperação com o INE-TL para garantir estatísticas mais robustas e atualizadas sobre o setor.
Base para decisões estratégicas
O inquérito oferece uma visão detalhada sobre quem consome peixe em Timor-Leste, em que quantidades, onde e porquê, fornecendo informação essencial para orientar políticas públicas e estratégias de pesca sustentável.
“Os resultados vão ajudar a definir prioridades na Estratégia Nacional das Pescas, assegurando que as ações estratégicas se baseiem na realidade local e em dados concretos. Só assim poderemos melhorar as condições de vida das comunidades costeiras, aumentar a sua resiliência e fortalecer um sistema alimentar nacional mais saudável e sustentável”, concluiu Paula da Cruz.
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Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




