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ONU apela a ação global urgente para resolver “crise dos Rohingya”

ONU apela a ação global urgente para resolver “crise dos Rohingya”

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 3 de outubro de 2025 (TATOLI) — O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou a uma ação internacional urgente para pôr fim à perseguição e deslocação forçada dos muçulmanos Rohingya e de outras minorias de Myanmar.

A mensagem foi transmitida na Conferência de Alto Nível sobre a Situação dos Direitos Humanos dos Rohingya e de outras minorias em Myanmar, realizada na terça-feira (30.09), em Nova Iorque.

“Reunimo-nos hoje para lançar um olhar global sobre a perseguição e o deslocamento dos muçulmanos Rohingya e de outras minorias em Myanmar. Esta crise, que se agravou desde a tomada do poder militar em 2021, viola os direitos humanos, a dignidade e a segurança de milhões de pessoas e ameaça a estabilidade regional”, declarou António Guterres, num comunicado a que a Tatoli teve acesso.

O Secretário-Geral sublinhou que as minorias em Myanmar enfrentam “décadas de exclusão, abusos e violência”, enquanto os Rohingya foram “privados do direito à cidadania, alvo de discursos de ódio, aterrorizados pela força letal e pela destruição”.

Mais de um milhão de Rohingya já fugiram para o Bangladesh, onde, segundo António Guterres, as autoridades têm demonstrado “extraordinária hospitalidade e generosidade”. Recordou ainda a sua visita de solidariedade a Cox’s Bazar, uma cidade costeira localizada no sudeste do Bangladesh, durante o Ramadão, este ano, onde se encontrou com os refugiados.

O dirigente da ONU advertiu que as condições no Estado de Rakhine continuam a impossibilitar um regresso seguro. “Os civis são apanhados no fogo cruzado — sujeitos a recrutamento forçado, bombardeamentos aéreos e sistemáticas violações dos direitos humanos”, acrescentou.

Segundo os dados da ONU, os Rohingya que fugiram para o Bangladesh nos últimos 18 meses sujeitaram-se a perigosas travessias marítimas, muitas vezes fatais. Nos campos de refugiados, os cortes na ajuda humanitária reduziram o acesso a cuidados de saúde, educação e alimentação.

“A assistência alimentar corre o risco de se esgotar no final de novembro. Mulheres e raparigas enfrentam riscos acrescidos de violência, tráfico e casamentos forçados”, alertou.

António Guterres apelou a uma resposta coordenada em três áreas fundamentais: proteção de civis, garantia de acesso humanitário sem restrições em Myanmar e aumento do investimento humanitário e de desenvolvimento.

“O povo do Bangladesh demonstrou enorme generosidade – partilhando a sua terra, florestas, água, ainda que escassa, e limitados recursos. A comunidade internacional deve mostrar maior solidariedade para apoiar os refugiados Rohingya e aqueles que os acolhem”, afirmou.

O Secretário-Geral sublinhou ainda que a solução duradoura deve ser encontrada dentro do próprio Myanmar: “passa por acabar com a perseguição e discriminação, assegurar a responsabilização, restaurar e defender os direitos. Passa pelo regresso à democracia e pelo reconhecimento de que os Rohingya pertencem ao país, como cidadãos de pleno direito.

O Secretário-Geral salientou que a paz duradoura em Myanmar depende de um cessar-fogo efetivo, acompanhado por medidas para reduzir as hostilidades e promover o diálogo inclusivo. Destacou que os Rohingya e toda a população birmanesa devem ter participação ativa neste processo, de modo a garantir justiça, dignidade e condições para um regresso seguro às suas terras. Apelou, por isso, a um esforço coletivo e inovador da comunidade internacional para alcançar uma solução sustentável.

 Notícia relacionada: Timor-Leste e Malásia apelam a soluções pacíficas para Myanmar e Palestina

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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