DÍLI, 30 de setembro de 2025 (TATOLI) – Timor-Leste apelou à reforma urgente da Organização das Nações Unidas (ONU) e ao reforço do multilateralismo como resposta aos conflitos internacionais, às alterações climáticas e aos desafios do desenvolvimento sustentável.
A declaração foi proferida pelo Representante Permanente de Timor-Leste junto da ONU, Dionísio Babo, em nome do Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito Freitas, à margem da 80.ª Sessão da Assembleia-Geral, em Nova Iorque.
Intervindo no evento, Dionísio Babo felicitou a Presidente da Assembleia-Geral, Annalena Baerbock, e agradeceu ao Secretário-Geral, António Guterres, pela liderança e defesa da paz em tempos “tão conturbados”. Sublinhou ainda a ligação histórica entre Timor-Leste e a ONU, recordando o papel determinante da organização no processo de autodeterminação e na construção das instituições do Estado após a independência, em 2002.
“O multilateralismo não é uma opção, mas uma necessidade. Para países pequenos como o nosso, o respeito pelo direito internacional é a única garantia de justiça, soberania e independência”, afirmou o diplomata, num documento a que a Tatoli teve acesso.
Timor-Leste defende a reforma estrutural do Conselho de Segurança, para que este reflita as realidades geopolíticas do século XXI, dando maior voz aos países em desenvolvimento e de menor dimensão. O país propõe também maior autoridade à Assembleia-Geral em questões de segurança.
Sobre conflitos internacionais, Timor-Leste expressou profunda preocupação com a crise humanitária em Gaza, com o agravamento do conflito na Ucrânia e com as várias situações de instabilidade em África, no Haiti e no Sudeste Asiático.
“É urgente implementar soluções de dois Estados, garantir o cessar-fogo em Gaza e permitir ajuda humanitária sem restrições”, referiu.
Na vertente do desenvolvimento, Timor-Leste reafirmou o compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030, alertando que muitas metas estão longe de ser atingidas, sobretudo nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares, como Timor-Leste, particularmente vulneráveis às alterações climáticas. Foi também recordada a recente adesão à Organização Mundial do Comércio e a integração plena, já em outubro, na Associação das Nações do Sudeste Asiático, como marcos importantes para a economia e para a cooperação regional.
O Embaixador lembrou compromissos internacionais como o Acordo de Paris e o Pacto Climático de Glasgow, que atuam no combate ao aquecimento global e na promoção de uma transição para economias de baixo carbono, defendendo mais financiamento, transferência de tecnologia e solidariedade global para enfrentar os desafios.
Timor-Leste aproveitou a tribuna para reiterar a solidariedade com a Palestina e com o Saara Ocidental e pediu o levantamento das sanções contra Cuba e a Venezuela. Dionísio Babo deixou uma mensagem de esperança, defendendo o multilateralismo como caminho para a paz, para a segurança e para o progresso global.
“Comprometamo-nos novamente com o multilateralismo, não como princípio abstrato, mas como prática quotidiana de ação conjunta. Timor-Leste é prova de que quando a comunidade internacional atua com unidade e determinação, os Estados mais pequenos e frágeis podem alcançar o seu lugar de direito na família das nações”, concluiu.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




