DÍLI, 03 de setembro de 2025 – O Representante da Missão Permanente de Timor-Leste junto da Organização das Nações Unida (ONU), Dionísio Babo, participou, esta terça-feira, em Nova Iorque, na 90.ª Reunião Plenária, na qual foram analisados os relatórios do Secretário-Geral sobre a consolidação e o financiamento relacionados com iniciativas que promovem a paz.
Na sua intervenção, Dionísio Babo destacou que a existência de Timor-Leste como nação soberana é uma prova do papel transformador da ONU na promoção da construção e manutenção da paz. “A nossa jornada rumo à independência e a estabilização que se seguiu não teriam sido possíveis sem o envolvimento da ONU”, referiu o diplomata, num documento a que a Tatoli teve hoje acesso.
O diplomata informou que o Relatório do Secretário-Geral sobre Consolidação e Manutenção da Paz lembra que os fatores que impulsionam os conflitos são cada vez mais complexos: choques climáticos, desigualdade e lacunas na governação cruzam-se e criam riscos sistémicos.
“Timor-Leste afirma que a apropriação nacional e a governação inclusiva são indispensáveis para a resiliência. No nosso caso, as iniciativas apoiadas pela ONU que priorizam a reconciliação, a construção de instituições e o desenvolvimento impulsionado pela comunidade permitiram-nos sair do conflito com a ordem restaurada e a coesão social reforçada. Este não é um princípio abstrato, é uma experiência vivida”, sublinhou.
Para o Embaixador, o Relatório sobre o Fundo para a Consolidação da Paz mostra o impacto catalisador daquele financiamento, com mais de 1,5 mil milhões de dólares mobilizados desde a sua criação, tendo apenas em 2024 apoiado 32 países.
“Timor-Leste beneficiou, particularmente no emprego juvenil e nas reformas do setor da justiça. Estas intervenções foram transformadoras, mas os desafios permanecem. A falta de financiamento e os atrasos enfraquecem o impacto precisamente no momento em que a rapidez e a flexibilidade são mais necessárias. Por isso, juntamo-nos ao apelo por modelos de financiamento previsíveis e plurianuais que façam a ponte entre a resposta humanitária e o desenvolvimento a longo prazo, garantindo a continuidade em transições frágeis”, explicou.
Relativamente ao Relatório sobre a Comissão de Consolidação da Paz, Dionísio Babo destacou que Timor-Leste reconhece o seu papel vital na convocação de diversos atores, na promoção da diplomacia preventiva e na integração da consolidação da paz em operações mais amplas da ONU.
“No entanto, persistem disparidades: os Estados mais pequenos e vulneráveis, incluindo nações insulares como a nossa, muitas vezes têm dificuldade em garantir um apoio personalizado. Mecanismos de monitorização mais fortes e uma alocação de recursos mais equitativa permitiriam à Comissão cumprir melhor o seu papel consultivo e aumentar a coerência em todo o sistema da ONU”, acrescentou.
Segundo o diplomata, a inclusão de género e dos jovens continua no centro da agenda nacional de paz do país. “A evidência é clara: a paz perdura quando os jovens estão envolvidos e quando as mulheres lideram. As nossas iniciativas de educação para a paz lideradas por jovens e os programas comunitários impulsionados por mulheres demonstram como a inclusão reduz os riscos de conflito e reforça a confiança nas instituições”, concluiu.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




