DÍLI, 08 de agosto de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, afirmou que Timor-Leste já preencheu os critérios fundamentais de soberania desde a proclamação unilateral da independência, a 28 de novembro de 1975, destacando a trajetória histórica, institucional e diplomática que consolidou a presença do país no cenário internacional.
A declaração foi feita no âmbito do seminário nacional, sob o tema Conceito de Estado e Visão Estratégica para o Desenvolvimento Nacional, promovido pela Tatoli, por ocasião do seu 9.º aniversário, comemorado anualmente a 27 de julho, em parceria com o Institute of Business (IOB).
“O Conceito de Estado exige que haja um território com fronteiras reconhecidas, uma população governada e a capacidade de manter relações com outros países na diplomacia e no comércio, entre outros. Timor-Leste já demonstrava, naquela altura, esses elementos essenciais”, declarou o Chefe de Estado.

Ramos-Horta explicou ainda que a Proclamação da Independência do país foi unilateral devido à ausência de um acordo com Portugal, à potência administrante, resultado da guerra civil que forçou o então Governador Lemos Pires a abandonar Díli e a refugiar-se na ilha de Ataúro.
“Logo após a invasão indonésia [a 07 de dezembro de 1975], iniciamos uma longa luta de resistência interna e na diáspora, que culminou no referendo de 1999 e, finalmente, conseguimos a restauração da independência a 20 de maio de 2002, com reconhecimento da comunidade internacional”, recordou.
O PR lembrou ainda os passos seguintes na consolidação do Estado, como a definição de fronteiras terrestres com a Indonésia em 2003, sob a sua liderança enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros, e a negociação da fronteira marítima com a Austrália liderada pelo atual Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão.
Ramos-Horta sublinhou que um Estado não é apenas um território com Governo, mas sim uma estrutura institucional que garante a paz, a ordem e a justiça: “O Estado deve ser construído com instituições fortes. Pode ter um Governo eleito ou não, mas deve servir o bem público”.
Relativamente ao desenvolvimento económico, lembrou que, em 2002, Timor-Leste dispunha de um orçamento de apenas 68 milhões de dólares americanos, maioritariamente financiado por doadores internacionais. A partir de 2004, com a adoção da Lei do Petróleo e com a criação do Fundo Petrolífero, o país começou a receber receitas significativas do campo petrolífero de Bayu-Undan, permitindo um crescimento orçamental significativo, que hoje ultrapassa os dois mil milhões de dólares.
Na sua intervenção, o Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Ximenes, referiu que “o facto de a Tatoli estar presente nos campus universitários demonstra o seu compromisso com a formação cívica e informada da juventude. Atualmente, a informação não tem fronteiras, pelo que a comunicação deve ser feita com ética e responsabilidade”.
Por sua vez, o Presidente do Conselho Administrativo da Tatoli, Noémio Falcão, defendeu uma maior colaboração entre os órgãos de comunicação estatais e as instituições de ensino superior, destacando a importância da convergência digital. “Vivemos na era da tecnologia, onde a colaboração com o setor académico é essencial para promover uma cidadania informada”, disse, saudando os estudantes presentes no evento.
Na mesma linha, o Reitor do IOB, Pedro Ximenes, valorizou o debate direto entre o Chefe de Estado e a comunidade académica, agradecendo a realização do evento. “É uma oportunidade única para refletir sobre o futuro do país com os principais líderes e decisores nacionais”, referiu.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




