DÍLI, 05 de agosto (TATOLI) – “Em Timor-Leste, a amamentação é amplamente aceite e valorizada culturalmente, deve, por isso, ser apoiada por sistemas que proporcionem às mães tempo, espaço e confiança para continuarem a amamentar, especialmente quando têm de conciliar o trabalho remunerado, as responsabilidades domésticas e os cuidados aos filhos”. Foi esta a mensagem do Representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Timor-Leste, Arvind Mathur, no âmbito das comemorações da Semana Mundial do Aleitamento Materno.
O dirigente, através de um comunicado de imprensa, referiu que com o tema Investir na amamentação, investir no futuro, a OMS pretende apelar aos Governos e parceiros para que façam investimentos ousados e sustentados na amamentação.
Arvind Mathur sublinhou que cada dólar gasto no apoio à amamentação gera até 35 dólares americanos em benefícios para a saúde e a economia.
“As principais ações incluem: a criação de ambientes propícios através da extensão da licença de maternidade remunerada e da criação de espaços para amamentação no local de trabalho; a expansão da Iniciativa Hospitais Amigos da Criança para criar ambientes onde a amamentação seja promovida desde o nascimento; a incorporação da amamentação nas estratégias e orçamentos nacionais de saúde como uma intervenção económica para a sobrevivência infantil e a saúde materna; e a aplicação do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno para proteger as famílias de propagandas enganosas”, lê-se num documento da OMS a que a Tatoli teve hoje acesso.
De acordo com o responsável, a amamentação é um dos atos de cuidado mais natural e eficaz, mas nem todas as crianças são amamentadas e muitas mulheres são deixadas a lidar com essa jornada sem apoio.
“As evidências são fortes e datam de décadas. A amamentação é uma das intervenções mais eficazes para a saúde e para a sobrevivência infantil, especialmente quando iniciada na primeira hora após o nascimento”, disse.
Para Arvind Mathur, a amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses de vida oferece benefícios incomparáveis tanto para o bebé como para a mãe, protegendo as crianças contra infeções gastrointestinais, mesmo em países de rendimento elevado.
“O início precoce, na primeira hora após o nascimento, reduz significativamente a mortalidade neonatal. Para além da proteção contra doenças, o leite materno é uma fonte vital de energia e de nutrientes para crianças, porque pode suprir mais de metade das necessidades energéticas de uma criança entre os seis e os doze meses e um terço das necessidades entre os doze e os vinte e quatro meses”, frisou.
Segundo Arvind Mathur, o leite materno é frequentemente o único alimento que uma criança doente consegue tolerar, atuando como alimento e remédio. “Para crianças desnutridas, ele pode salvar vidas”, explicou.
Para o dirigente, os benefícios do leite materno estendem-se até a vida adulta, estando provado que as crianças que foram amamentadas são menos propensas a ficar acima do peso ou obesas, mais propensas a ter um bom desempenho na escola e a ter níveis de rendimento mais elevados quando adultas.
Arvind Mathur recordou que para as mães períodos mais longos de amamentação reduzem o risco de cancros da mama e dos ovários, doenças cardíacas e diabetes tipo 2.
“Com tantas vantagens bem documentadas, por que é que a amamentação exclusiva ainda não é a norma? Porque é que muitas mães enfrentam barreiras sistémicas e sociais: licença maternidade inadequada; ausência de locais de trabalho favoráveis à amamentação; apoio psicológico limitado e comercialização descontrolada de substitutos do leite materno”, questionou.
O dirigente realçou que aqueles obstáculos prejudicam até mesmo as mães mais motivadas. O peso da amamentação continua a recair desproporcionalmente sobre as mulheres, sem as redes de apoio necessárias para que elas tenham sucesso.
Arvind Mathur lembrou que Timor-Leste já deu passos promissores, frisando que o Ministério da Saúde (MS), com o apoio da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), adotou o Decreto-Lei Nacional que regula a comercialização de substitutos do leite materno.
“A sensibilização foi reforçada através de campanhas nacionais, e a amamentação continua a ter um papel de destaque em iniciativas anuais como a Semana da Nutrição. O mais alto nível de compromisso político é visível. Mas o progresso deve acelerar”, afirmou.
Na sequência, o responsável disse que a OMS, a UNICEF e o MS vão, entre outros, reforçar as redes de apoio e expandir as proteções à maternidade, sublinhando que “só assim poderemos melhorar as taxas de amamentação exclusiva”.
Notícia relevante: Fundação Alola assinala Semana Mundial do Aleitamento Materno
Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




