DÍLI, 29 de julho de 2025 (TATOLI) – Foi exibido ontem, no Centro Cultural Jorge Sampaio, o documentário Edifício Master, do cineasta brasileiro Eduardo Coutinho, que retrata a vida dos moradores de um prédio em Copacabana, no Rio de Janeiro, expondo emoções, solidão e a complexidade das relações humanas.
Trata-se de um dos vários documentários exibidos na 2.ª edição do Festival de Cinema da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre até ao dia 08 de agosto, uma iniciativa integrada nas comemorações do Dia da CPLP, comemorado a 17 de julho.
A Embaixadora de Portugal em Díli, Manuela Bairos, destacou o valor do cinema como expressão da diversidade cultural da CPLP. “Queremos dar o nosso contributo cultural e evidenciar que há cinema de grande qualidade em língua portuguesa”, disse à Tatoli.
Para a diplomata, o Edifício Master pode inspirar jovens cineastas timorenses: “É muito fácil pegar numa câmara, ir a um bairro, conversar com as pessoas e criar algo poderoso. Timor-Leste tem muito potencial para esse tipo de abordagem”.
Presente na sessão, o Provedor dos Direitos Humanos e Justiça, Virgílio Guterres, refletiu sobre a relevância social do documentário e a sua ligação com a realidade timorense. “Pensei, e se existisse um prédio como aquele em Díli? Um espaço de acolhimento emocional para quem vive na solidão ou foi discriminado. Temos carência desses “edifícios físicos e simbólicos”, afirmou.
Virgílio Guterres sublinhou ainda que temas como o casamento precoce e a gravidez na adolescência fazem, igualmente, parte do cenário timorense. “Aquela jovem no filme que teve um filho aos 14 anos, essa realidade também está aqui. O que nos falta é documentar estas vozes escondidas”, referiu.
O festival prossegue esta semana com a exibição de curtas-metragens de Angola e deverá tornar-se um evento anual, segundo a Embaixada de Portugal, com o objetivo de aproximar culturas e dar palco a produções emergentes dos países da CPLP, incluindo futuras criações timorenses.
Vão ser ainda visualizados o documentário Njinga Rainha de Angola, a 01 de agosto, as curtas-metragens Mina Kia e Bairro Português de Malaca, a 05 de agosto, e o documentário Rosas de Ermera, no dia 08 do mesmo mês.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




