DÍLI, 14 de julho de 2025 (TATOLI) – Timor-Leste defendeu na Organização das Nações Unidas (ONU) a necessidade de um compromisso global para combater as desigualdades sociais, económicas e ambientais que afetam a saúde, sobretudo nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares.
A intervenção foi feita pelo Representante Permanente de Timor-Leste junto da ONU, Embaixador Dionísio Babo, durante o Diálogo Interativo de Alto Nível sobre os determinantes sociais, económicos e ambientais da saúde, no plenário da Assembleia-Geral, em Nova Iorque.
O diplomata alertou que a capacidade das pessoas para viverem com saúde e dignidade não depende apenas dos sistemas de saúde, mas também das condições em que nascem, crescem, vivem e trabalham. “O desafio de enfrentar os determinantes sociais da saúde não é apenas técnico, mas também moral e político”, declarou num comunicado a que a Tatoli teve acesso.
Dionísio Babo lembrou que, a nível global, mais de 700 milhões de pessoas vivem em pobreza extrema, das quais se incluem 42% da população timorense. Ressaltou que o acesso limitado a água potável, a alimentos nutritivos, a habitação adequada e à educação contribui para doenças evitáveis, para um desenvolvimento insuficiente e para morte prematura. “Os resultados de saúde não são apenas clínicos, são reflexo de desigualdades, exclusão e negligência estrutural”, destacou.
O Embaixador reconheceu o papel fundamental da educação como um determinante da saúde, observando que, em muitas partes do mundo, as crianças vão à escola sem adquirir conhecimentos básicos de literacia ou saúde. “Em Timor-Leste, apesar dos progressos alcançados desde a independência, a conclusão da escolaridade permanece baixa, sobretudo entre as raparigas, o que afeta a saúde das mulheres, o planeamento familiar e as oportunidades económicas”, frisou.
Dionisio Babo chamou ainda a atenção para o impacto das alterações climáticas, que agravam as vulnerabilidades nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento. As comunidades que vivem em zonas costeiras vulneráveis ou em áreas propensas a inundações, muitas vezes em habitações informais e sem acesso a serviços básicos sofrem. “As alterações climáticas transformaram esta vulnerabilidade numa crise. Tempestades, secas e a subida do nível do mar ameaçam a segurança alimentar, o abastecimento de água e sobrecarregam os sistemas de saúde frágeis. Estes desafios são interligados e refletem desvantagens estruturais persistentes”, realçou.
Para combater as desigualdades, Dionísio Babo apelou à adoção de uma abordagem de “saúde em todas as políticas”, que inclui o investimento no acesso universal a água potável, ao saneamento, à habitação condigna, à educação e a sistemas alimentares saudáveis. O diplomata defendeu também a promoção de salários justos e uma proteção social inclusiva, especialmente para trabalhadores informais, mulheres e comunidades rurais.
Dionisio Babo reforçou que “todas as decisões políticas são também decisões de saúde”, e defendeu investimentos em infraestruturas, como estradas seguras, transportes públicos e acesso à internet nas zonas rurais, facilitando, por exemplo, a telemedicina para melhorar o bem-estar das populações.
O diplomata ressalvou ainda a experiência de Timor-Leste na participação comunitária em soluções locais, através de grupos de mães e iniciativas juvenis, apelando aos parceiros de desenvolvimento para que invistam em esforços sustentáveis e na construção de sistemas resilientes de longo prazo.
“Desigualdades na saúde não são inevitáveis. Resultam de escolhas e podem ser transformadas com ações ousadas e inclusivas. É fundamental trabalharmos juntos para que todas as pessoas, independentemente do rendimento, do género ou da sua localização, possam viver com saúde e com dignidade”, concluiu.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editor: Rafael Ximenes de A. Belo




