DÍLI, 29 de junho de 2025 (TATOLI) – A 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, realizada no Centro de Convenções da capital, resultou na assinatura da Declaração de Díli, que oficializa a criação da Associação das Comunidades Luso-Asiáticas (APCA).
O documento representa o compromisso de fortalecer a cooperação e promover um trabalho solidário conjunto em benefício daquelas comunidades.
A Declaração de Díli reafirma também o compromisso de preservar o legado luso-asiático construído ao longo de séculos e de transmiti-lo às gerações futuras, assumindo a vontade partilhada de se encontrar soluções que resultem em benefícios concretos para cada comunidade, reconhecendo e valorizando as suas especifidades.
O documento define duas missões fundamentais para a nova associação: existência, centrada na continuidade das comunidades como entidades culturais e étnicas; e Identidade, focada na preservação do património tangível e das expressões culturais.
A APCA tem como objetivos principais: criar um repositório de conhecimento sobre as comunidades luso-asiáticas; monitorizar os desafios e oportunidades associadas a estas comunidades; defender e promover os direitos e a dignidade das comunidades; apoiar a sustentabilidade económica; incentivar e apoiar a investigação académica; garantir o registo sistemático de testemunhos orais, documentais, artefactos e outro património cultural ou imaterial; potenciar as tecnologias digitais e da informação como ferramentas para aproximar as comunidades e promover a realização de conferências e eventos de âmbito internacional.
O Presidente da Comissão Organizadora da conferência, Virgílio Smith, disse que o estabelecimento da associação assenta numa cultura partilhada, no diálogo, e no respeito mútuo, reconhecendo a singularidade de cada comunidade.
“Esperamos que a APCA se torne uma entidade permanente, capaz de coordenar iniciativas, fortalecer a identidade cultural e aproximar estas comunidades de instituições, investigadores e parceiros internacionais”, afirmou.
Durante a sessão de encerramento da conferência, o Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Zacarias Albano, destacou a importância do papel da associação como instrumento de consolidação das relações entre as comunidades luso-asiáticas e a CPLP.
“Com a constituição desta associação, as comunidades luso-asiáticas passam a ter uma estrutura permanente, com estatuto legal e recursos que lhes permitirão trabalhar em conjunto com diversos parceiros e partes interessadas dos países de origem dos seus membros”, realçou.
Zacarias reforçou que a sede da associação em Díli abrirá novas oportunidades de cooperação, tanto entre os Estados-membros da CPLP como entre parceiros internacionais. A CPLP, atualmente, mantém parcerias com mais de 120 organizações da sociedade civil, incluindo comités temáticos e entidades com estatuto de observador associado.
A mesma fonte refere que a criação da APCA marca um passo concreto nos esforços de preservação do património cultural luso-asiático, com a espetativa de que a associação atue como uma ponte de cooperação transfronteiriça e internacional, bem como uma voz coletiva das comunidades luso-asiáticas em fóruns regionais e internacionais.
A Declaração de Díli foi assinada por representantes de nove comunidades luso-asiáticas: Joseph de Sta. Maria, de Malaca, na Malásia; Aloysio Thurein, de Bayingyi, em Myanmar; Guido Quiko, de Jacarta, na Indonésia; Earl Bathelot, de Burgher, no Sri Lanka; SarayutKudichin, de Banguecoque, na Tailândia; Honorário Quintus Ebang, de Sikka, em Flores, na Indonésia; Carolina Fernandes e Pó, de Goa, na Índia; Miguel de Senna Fernandes, de Macau, na China, e António da Costa, de Topasse, em Oé-Cusse, Timor-Leste. O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, foi testemunha na assinatura da Declaração.
O Chefe do Governo destacou que a criação da associação visa criar um espaço de cooperação entre comunidades minoritárias que partilham raízes culturais e linguísticas comuns, espalhadas por países como Sri Lanka, a Malásia, Myanmar, a Tailândia, a China, a Indonésia e a Índia.
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Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Maria Auxiliadora




