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Sri Lanka e Malásia continuam a lutar para preservar tradições portuguesas

Sri Lanka e Malásia continuam a lutar para preservar tradições portuguesas

Danças tradicionais de Malaca. Foto/António Daciparu

DÍLI, 28 de junho de 2025 (TATOLI) – Os representantes luso-descendentes do Sri Lanka e da Malásia reafirmaram o seu compromisso com a preservação do legado português, durante a 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas decorrida entre os dias 27 e 29, em Díli.

O representante da comunidade luso-descendente do Sri Lanka, Earl Brathelot, referiu que os laços históricos com Portugal começaram no século XVI, quando os seus antepassados comerciavam produtos locais com os portugueses que chegaram ao país e que acabaram por se casar com as nativas, criando uma nova identidade cultural que resulta da mistura europeia e asiática.

Segundo Brathelot, o português falado pelos descendentes portugueses no Sri Lanka é adaptado ao contexto local. São utilizadas palavras-chave do português misturadas com cingalês e tâmil, línguas oficiais do país, resultando num crioulo agora chamado de “português livre”.

Ao contrário de Timor-Leste, onde o português é uma das línguas oficiais, no Sri Lanka o “português livre” é usado apenas no seio familiar dos luso-descendentes.

“O português é uma herança dos nossos antepassados. Aprendemos em casa. Não há livros e não é utilizado nas escolas, mas falamos português todos os dias no país, onde o número de falantes da comunidade portuguesa é de apenas cerca de sete mil. É difícil comunicarmos em português, por isso falamos apenas em eventos familiares ou religiosos”, afirmou o delegado do Sri Lanka.

“Mas, com eventos como este, mostramos ao mundo que ainda existimos e, juntos, podemos conhecer melhor a cultura e a história dos nossos antepassados”, salientou.

Por sua vez, Marina Danker, a representante da comunidade portuguesa de Malaca, na Malásia, referiu que os idiomas de ensino são o inglês e o malaio, e o português é falado apenas em contexto familiar.

A representante destacou ainda a importância de se preservar a herança dos antepassados, como, por exemplo, as danças tradicionais Carina e a Lanceira e os pratos típicos com nomes portugueses, pois reforçam essa identidade única.

Mariana realçou ainda que a sua participação na Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas foi um momento de orgulho e de partilha de informação sobre a cultura e a história de cada comunidade luso-asiática.

“É importante mostrar ao mundo que continuamos a existir. A nossa história vive na língua, na música e na gastronomia”, disse.

Para Mariana, é essencial  manter este tipo de encontro. “Eventos como este devem continuar para  preservarmos o que os nossos antepassados deixaram. Mesmo que o português agora seja falado com sotaques ou com recurso a palavras diferentes, é importante que mantenhamos a nossa identidade viva”, concluiu.

Notícia relevante: Comunidade Karang Taruna promove legado português

Jornalista:  Ivonia da Silva

Editora: Maria Auxiliadora

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