DÍLI, 25 de fevereiro de 2025 (TATOLI) – Cento e cinquenta profissionais de saúde vão fazer um levantamento de dados epidemiológicos relativos a doenças consideradas “negligenciadas”, porque historicamente ocupam uma posição muito baixa na agenda de saúde global, recebendo pouca atenção e pouco financiamento. Em causa estarão as doenças Tracoma, Bouba e às causadas por Helmintíases. A iniciativa foi organizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em cooperação com os Ministérios da Saúde (MS) e da Educação (ME).
Segundo a leitura médica, a Tracoma é uma doença infeciosa dos olhos, contagiosa, causada pela bactéria clamydia trachomatis, que apresenta como sintomas iniciais inflamação das conjuntivas, fotofobia, lacrimejo excessivo, entre outros, podendo causar lesões permanentes e, inclusive, cegueira.
Relativamente à Bouba, é uma doença infeciosa infantil crónica, desfigurante e debilitante. Esta patologia afeta a pele, os ossos e as cartilagens e a sua transmissão é de pessoa para pessoa.
Já as helmintíases, espécies de vermes parasitas transmitidos por ovos presentes nas fezes humanas, provocam no corpo humano diarreia e dores abdominais, desnutrição e compromete o crescimento e o desenvolvimento físico.
Para o Representante da OMS em Timor-Leste, Arvind Mathur, o país encontra-se numa conjuntura crítica, tendo entrado na fase de vigilância pós-zero de casos de bouba e de um passo essencial para a meta de eliminação delineada no Plano Estratégico Nacional para as doenças negligenciadas entre 2021 e 2025.
“As doenças tropicais negligenciadas afetam desproporcionadamente as comunidades vulneráveis, em particular as crianças. Desde 2019, o Ministério da Saúde integrou a vigilância de bouba no quadro nacional de notificação de doenças. Embora tenham sido notificados 574 casos suspeitos, todos foram testados e deram negativo, reforçando, deste modo, a confiança nos esforços de eliminação da doença no país”, referiu o dirigente, em Díli.
Arvind Mathur revelou que o levantamento de dados sobre as doenças em apreço terá uma duração de sete semanas e irá abranger 5.485 crianças com menos de cinco anos e 1.960 com idades compreendidas entre os 6 e os 14 anos.
Recorde-se que o MS, em parceria com o ME, tinha distribuído, entre 2021 e 2022, albendazol, um fármaco para tratar parasitas intestinais, a 300 mil crianças em todo o território. Estas rondas de desparasitação faziam parte do Pacote de Cuidados de Saúde Primários com base nas escolas, no âmbito do projeto “Diga Não aos 5S”.
É de lembrar-se que, de acordo com um Inquérito de Avaliação da Transmissão, realizado em 2012, a prevalência de doenças provocadas por helmintíases transmitidas pelo solo variava entre os 4% e os 55% em diversos municípios e, entre 2020 e 2021 variava entre os 2% e os 50%.
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Jornalista Jesuína Xavier
Editora: Isaura Lemos de Deus




