DÍLI, 04 de outubro de 2023 – Gabrielle Samson, académica premiada na área de Antropologia da Educação, trabalhou na Austrália, Papua Nova Guiné, Indonésia e Timor-Leste. Neste último país, passou mais de 30 anos envolvida com Ataúro, seis dos quais (1994-2002) foram plenamente vividos junto de pequenas comunidades, sobretudo junto de mulheres e crianças.
É da experiência daqueles seis anos que resulta o lançamento do livro Dançarinos do Mar (Dancers on the Sea, no original em inglês). A obra será lançada a 25 de outubro de 2023 na Austrália, mas a autora quer fazer a sua apresentação pública também em Timor-Leste no princípio do próximo ano e na companhia de pessoas de comunidades de Ataúro.
No livro, Gabrielle Samson conta a sua experiência em Ataúro com comunidades locais através de pequenas histórias de cunho antropológico, os seus sentimentos, as suas ambições e o relacionamento que manteve com a população local. Todavia, no período em causa, Gabrielle não foi uma observadora passiva da população da ilha. No período de grandes mudanças que culminou com a independência de Timor-Leste, de 1994 a 2002, Gabrielle não só se envolveu em pequenos projetos locais como foi a iniciadora e dinamizadora dos mesmos.
Em 1994, em pleno período de resistência, colaborando com uma universidade, foi-lhe pedido por um líder de uma aldeia timorense que ajudasse a criar um jardim de infância para a comunidade. Com o apoio da universidade, Gabrielle aceitou passar seis meses na ilha remota e pobre, para viver com a comunidade em condições duras e sem as comodidades do mundo moderno. “Não demorou muito para me apaixonar pela ilha, pelo seu povo e por um colega que fez com que os anos seguintes da sua vida fossem passados a viver na ilha, no meio de uma comunidade fantástica de pessoas”, refere a própria no livro.
No tocante a projetos que fomentaram alguma rentabilidade económica, Gabrielle Samson, nas suas palavras, diz serem “programas pequenos, localizados, de autoajuda que acredita terem sido relevantes” e revela: “Vivi com a população de Ataúro e estou admirada com a sua resistência e durabilidade, o seu humor lacónico, o seu sentido de sobrevivência e seus sentimentos. Faço parte de uma equipa que trabalhou com a comunidade no desenvolvimento da educação e de pequenas atividades geradoras de rendimentos. Trabalhamos com grupos de mulheres que se dedicam à transformação do peixe e à criação de aves, e com um grupo de agricultores no cultivo de legumes”. Na aldeia de Biqueli, por exemplo, as atividades de transformação de peixe proporcionaram algum rendimento a nove famílias.
Em educação, segundo a própria, “trabalhamos com professores, pais e crianças ao nível do jardim de infância, da escola primária. Nas escolas, concentramo-nos no desenvolvimento da literacia e de uma aprendizagem ativa e participativa, desenvolvendo, com professores locais, métodos e materiais que ajudaram as crianças a atingir o seu potencial como leitores, escritores, pensadores críticos e solucionadores de problemas”.
No ensino secundário, por sua vez, desenvolvemos competências e conhecimentos nos domínios da agricultura, da pesca e da criação de aves. Utilizamos tutores locais e tivemos uma abordagem prática e participativa. Na medida do possível, utilizamos como base o ambiente, o conhecimento e a cultura locais. Experimentamos ‘leitores com cenários’ e histórias que validavam a experiência local”.
Para alguns pequenos projetos, a autora de Dançarinos no Mar conseguiu financiamentos: fundos do Governo da Nova Zelândia, do Conselho Mundial de Igrejas, da Igreja Unida da Austrália e da Rotary International. Para o futuro, Gabrielle tem expetativas: “Queremos explorar a permacultura e outras técnicas de agricultura de sequeiro e, no próximo ano, esperamos abrir uma biblioteca para o ensino pré-escolar”.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




