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Acordo pretende incidir sobre crenças sociais e culturais na base da mortalidade materno-infantil

Acordo pretende incidir sobre crenças sociais e culturais na base da mortalidade materno-infantil

Foto da Tatoli

DÍLI, 22 de setembro de 2023 (TATOLI) — Comportamentos baseados em tradições e referências culturais estão, de facto, na base de uma maior mortalidade materno-infantil em Timor-Leste. Uns e outros manifestam-se numa menor consciência para a necessidade de partos medicamente assistidos, de acompanhamento durante a gravidez, de cuidados pós-natais aos recém-nascidos, de medidas de contraceção, de educação para a saúde ou sexual e de vigilância médica de sintomas geradores de problemas de saúde, têm consequências no bem-estar das mulheres em idade de fecundidade, de parturientes e de bebés.

Esta foi a premissa básica que norteou a assinatura, hoje, de um memorando de entendimento com vista à criação de medidas que contribuam para a redução de mortalidade materno-infantil no país entre a Representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Timor-Leste, Pressia Arifin-Cabo, e a Diretora do Laboratório Comportamental da Universidade da Tasmânia, Swee-Hoon Chuah.

Segundo Pressia Arifin-Cabo, embora tenham sido feitos grandes progressos na redução da mortalidade materno-infantil no país, é preciso mudar comportamentos baseados em tradições e referências culturais para que as mulheres em idade reprodutiva deem à luz com o apoio de parteiras qualificadas.

“O UNFPA tinha fornecido apoio técnico para reduzir a mortalidade materno-infantil no país, tais como o estabelecimento de centros de Cuidados Obstétricos Básicos de Emergência e Neonatais, a implementação de diretrizes nacionais para cuidados pré-natais e pós-natais, bem como a formação de profissionais de saúde em serviços de saúde materna”, informou a dirigente, no Hotel Timor, em Díli. A responsável frisou, no entanto, que cerca de 52% das mulheres no país continuam a ser excluídas destes serviços por falta de sensibilização ou por crenças sociais e culturais.

Também a Diretora do Laboratório Comportamental da Universidade da Tasmânia (Austrália) destacou a importância de se trabalhar em parceria com o UNFPA para reduzir a taxa da mortalidade materno-infantil em Timor-Leste. “Estamos ansiosos por fornecer orientações técnicas e formação que contribuam para mudar vidas através de melhores resultados na área da saúde”.

A dirigente sublinhou que o UNFPA e a universidade vão estabelecer uma colaboração a longo prazo para combater a taxa de mortalidade em apreço através de mudanças sociais e comportamentais ao nível da comunidade e dos agregados familiares, começando pelas mães, mas envolvendo também os seus maridos, sogras e demais familiares.

A responsável adiantou que a universidade, através do Laboratório Comportamental, vai fornecer formadores especializados para intensificar o Programa de Promoção da Saúde do Ministério da tutela a empregar estratégias de mudança social e comportamental, de modo a que as mulheres em idade reprodutiva possam ir às instalações de saúde para receber planeamento familiar, cuidados pré e pós-natais e, mais importante, para dar à luz com o apoio de parteiras qualificadas.

Já o Diretor Nacional de Apoio aos Cuidados de Saúde Primária na Família do Ministério da Saúde, Noel Gama Soares, referiu que este acordo se centra na mudança de comportamento da comunidade, sobretudo o das grávidas. “Este acordo é muito importante para o Ministério da Saúde, sobretudo para o serviço de cuidado de saúde primário para convencer as mães a darem à luz nos centros de saúde, porque algumas, sobretudo as das áreas de rurais, têm poucos conhecimentos”, concluiu. 

Notícia relevante: Redução da mortalidade materno-infantil em Timor-Leste na mira do UNFPA

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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