DÍLI, 07 de setembro de 2022 (TATOLI) – Mais de 20 profissionais de saúde participaram, na terça-feira, numa formação sobre Vigilância e Resposta à Mortalidade Materno e Perinatais para reforçar a sua implementação, tendo em vista, em última instância, reduzir a mortalidade materno-infantil no país. Estiveram presentes na formação profissionais de saúde do Hospital Nacional Guido Valadares, dos Hospitais de Referência de Baucau e de Maliana e do Centro de Saúde de Gleno.
A formação, organizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, em inglês), a UNICEF e o Departamento dos Assuntos Externos (DFAT, em inglês) da Austrália, decorreu no Hotel Timor, em Díli.
A Diretora-Geral da Prestação de Serviços de Saúde, Odete Viegas, sublinhou que o programa foi criado em 2014, mas foi revisto em 2017, quando se iniciaram estatísticas sobre a morte de mães parturientes ou dos seus filhos e acrescentou: “este programa é necessário para reforçar o sistema de controlo da mortalidade materno-infantil em centros de saúde ou em domicílios”.
A diretora acrescentou que o Ministério da Saúde e os parceiros de desenvolvimento deveriam fazer uma revisão da morbilidade e da etiologia materno-infantil para se apurarem as verdadeiras causas pelas quais casos de mortalidade materno-infantil continuam a acontecer. “O programa de revisão da mortalidade materna é muito necessário. É preciso fazer uma análise das causas da mortalidade materno-infantil e isso envolve ou uma autópsia ou entrevistas às mães e às suas famílias. Precisamos de fazer uma revisão nacional deste tipo de mortalidade e envolver todas as entidades que podem ter um papel relevante na diminuição das taxas de mortalidade materno-infantil, nomeadamente, a sociedade civil e a igreja”.
A este propósito, a gestora adjunta da UNFPA em Timor-Leste, Domingas Bernardo, disse que este tipo de formação é muito importante para os profissionais de saúde e instou a criar-se uma comissão para entender as causas da mortalidade materno-infantil de modo a, conhecendo-as, fortalecer o sistema de cuidados de saúde na natalidade. Domingas Bernardo especificou que “este sistema foi estabelecido pelo Ministério da Saúde em 2014, no entanto, foi necessário reforçar a revisão dos casos de mortalidade materno-infantil em Timor-Leste. Se as mulheres grávidas não estiverem a receber um tratamento adequado, podem morrer durante o parto. Por isso, este programa pode ajudar os profissionais de saúde a entender e a contribuir para se resolver este problema”.
O UNFPA e o ministério, revelou Domingas Bernardo, continuam a apoiar a implementação desta política através da promoção de ações de formação aos profissionais de saúde e do fornecimento dos equipamentos necessários de modo a assegurar um serviço de saúde adequado às mulheres.
Questionada sobre atividades específicas levadas a cabo com vista à redução da taxa de mortalidade materno-infantil, Domingas Bernardo referiu que a organização tem trabalhado em parceria com o Ministério da Saúde desde 2018, visando melhorar a instalações de saúde nas alas das maternidades dos centros de saúde para garantir qualidade nos tratamentos a parturientes.
De acordo com o estudo Tendências da Mortalidade Materna da ONU, em 2020, diariamente quase 800 mulheres morriam globalmente de causas evitáveis relacionadas com a gravidez e ao parto. Todavia, entre 2000 e 2010, no sudeste asiático, que junto com a África subsariana detinha os valores mais altos, a taxa de mortalidade de mulheres durante a gravidez decresceu na ordem dos 71%.
Equipa da TATOLI




