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UNESCO em TL: “Na preservação e ensino da memória do país, os arquivos e os locais devem ser lidos e vistos”

UNESCO em TL: “Na preservação e ensino da memória do país, os arquivos e os locais devem ser lidos e vistos”

Foto da Tatoli/Francisco Sony.

DÍLI, 10 de agosto de 2023 (TATOLI) – Preservar e ensinar a memória de Timor-Leste via arquivos e locais de interesse histórico foi o mote para o segundo seminário nacional A educação histórica para a promoção da paz em Timor-Leste. O evento foi organizado numa parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Jacarta, com o Ministério da Educação (ME) e o Centro Nacional de Chega (CNC).

O Secretário da Comissão Nacional de Timor-Leste para a UNESCO, Francisco Barreto, informou que o seminário visa trocar ideias sobre o papel dos arquivos e de locais históricos alternativos (por não serem devidamente valorizados pelo valor histórico intrínseco) para a educação sobre a história contemporânea do país e para a promoção dos valores da paz.

Em última instância, quer-se fazer emergir a ideia de que a história de Timor-Leste, e a subsequente importância em veiculá-la em contexto escolar, não está apenas adstrita aos manuais escolares, aos livros de história ou a testemunhos pessoais, mas também no ideário de documentos e espaços físicos (instalações, monumentos e até locais naturais de episódios historicamente relevantes), ambos tradicionalmente desvalorizados quer na investigação histórica, quer no seio didático. “Na preservação e ensino da memória de Timor-Leste, os arquivos e os locais precisam de ser lidos e vistos”, ouviu-se no seminário.

“O evento foca-se no papel e no valor da educação histórica através de arquivos e locais históricos como por exemplo museus, monumentos e outros locais que evocam a história do país”, informou o dirigente, no Hotel Timor, em Díli. Francisco Barreto explicou que os arquivos são frequentemente utilizados como uma ferramenta para a justiça transicional e como fonte de provas. É também facto que os arquivos têm tido um papel relevante na determinação da identificação dos proprietários de imóveis ou propriedades urbanas e rústicas.

Também o representante do ME, Raimundo Neto, recordou que o ministério tem trabalhado em parceria com a UNESCO para facultar uma formação sobre ensino da história a professores de todas as escolas no país.

“Este projeto permitiu que dois professores de cada escola frequentassem a formação. Depois o material foi distribuído a mais professores para multiplicarem o ensino dos conteúdos a mais alunos de todo o território”, acrescentou.

O evento pretende reunir, além de investigadores e público em geral, atores profissionais relevantes que se têm dedicado às áreas da educação da histórica, biblioteconomia, locais alternativos de interesse histórico e à preservação da memória coletiva em Timor-Leste.

Iniciativas deste género não são, na sua essência, novas. Recorde-se que a UNESCO, em colaboração com o CNC e o ME e contando com o apoio da KOICA (Agência de Cooperação Internacional da Coreia do Sul), tem promovido a utilização de espaços históricos alternativos, incluindo locais onde ocorreram violações de direitos humanos (por exemplo, episódios de tortura) e outro tipo de atrocidades, como fontes para uma educação histórica eficaz.

A Comissão Nacional da UNESCO de Timor-Leste, como outras representações locais da organização internacional, dedica-se à preservação de especificidades culturais que se julga serem relevantes no património cultural mundial ou de identidades regionais. A nível multilateral visa também a melhoria da compreensão mútua entre os povos e a promoção da justiça, da paz e da segurança internacionais.

No caso específico de Timor-Leste, a UNESCO tem tido, por missão, apoiar e desenvolver  programas e realizar eventos sobre a defesa e preservação da identidade e cultura timorenses.

No que toca ao trabalho do CNC, o centro tem centrado a sua missão na promoção das recomendações da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação para, em específico, perpetuar a memória daqueles que se evidenciaram na luta pela autodeterminação de Timor-Leste e, em geral, promover os direitos humanos através da educação, formação e solidariedade com os sobreviventes mais vulneráveis das violações dos direitos humanos.

A instituição tem-se envolvido com a comunidade, tanto com público em geral como com sobreviventes do processo de ocupação estrangeira e subsequentes conflitos, através da comemoração de eventos da historiografia contemporânea, do mapeamento de locais de relevante interesse histórico, da organização de visitas educativas que permitem aos estudantes visitar locais históricos e ouvir os testemunhos dos sobreviventes, e da criação de espaços para a transmissão intergeracional de memórias.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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