iklan

INTERNACIONAL, HEADLINE, NOTÍCIAS DE HOJE

Timor-Leste sobe para a 10.ª posição no ranking mundial da Liberdade de Imprensa

Timor-Leste sobe para a 10.ª posição no ranking mundial da Liberdade de Imprensa

Jornalistas timorenses. Imagem Tatoli/Francisco Sony.

DÍLI, 03 de maio de 2023 (TATOLI) – Num ranking de 180 países, Timor-Leste ocupa a 10.ª posição em relação à liberdade de imprensa, segundo o levantamento realizado pela Organização Não-Governamental Repórter Sem Fronteiras (RSF). O país subiu sete lugares em relação ao ano passado, estando agora numa colocação considerada a melhor em toda a Ásia.

O estudo é publicado anualmente, sempre a 03 de maio – data em que é celebrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

De acordo com o RSF, o desempenho de cada país depende de cinco indicadores contextuais, que ajudam a entender a liberdade de imprensa num território em toda a sua complexidade: contexto político, arcabouço jurídico, contexto económico, contexto sociocultural e segurança.

A pontuação atribuída pode variar de 0 a 100. Um elevado grau de liberdade de imprensa está associado a uma pontuação alta e vice-versa. Com 84,49 pontos, Timor-Leste ficou atrás apenas de Portugal (nono lugar), entre as nações que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Jornalistas timorenses ainda enfrentam dificuldades

Num debate promovido pelo Consultório da Língua para Jornalistas (CLJ) sobre a língua portuguesa na comunicação social, que se assinalou esta quarta-feira, no Centro Cultural da Embaixada de Portugal, em Díli, diferentes intervenientes concordaram que os jornalistas timorenses ainda enfrentam dificuldades no acesso à informação para produzir bons conteúdos noticiosos.

A revisora linguística do CLJ, Yane Maia, afirmou que é preciso rever a avaliação da RSF sobre a liberdade de imprensa em Timor-Leste. “Existe censura e autocensura no país. Também os assessores de comunicação impedem os jornalistas de fazer perguntas”.

O diretor do site Diligente, Eduardo da Silva, lamentou ser difícil entrevistar detentores de cargos de poder sobre os assuntos de interesse público. As barreiras impostas por aquelas figuras dificultam a obtenção da informação e atrasam o trabalho jornalístico.

“É mais fácil entrevistar um cidadão comum do que um governante. Os cidadãos comuns falam livremente o que sentem, mas os governantes precisam de obter uma autorização e não gostam de serem questionados sobre os temas que os incomodam, especialmente aqueles ligados à Igreja Católica, à comunidade LGBTQI+ e à corrupção”, observou Eduardo da Silva.

O coordenador da televisão do Grupo Media Nacional (GMN), Delfim Oliveira, concordou que os jornalistas ainda enfrentam várias formas de censura e pressão e relacionou estee problemas às questões económicas e à interferência política.

“A independência para desempenhar o nosso papel como jornalistas não é total, em razão dos baixos salários. Além disso, ao longo da minha carreira, recebi chamadas de membros do Governo que me pressionaram para que não publicar conteúdos sensíveis”, contou.

Por sua vez, o formador de jornalismo do CLJ, Helson França, destacou que há ainda um caminho a ser percorrido, para que os desafios enfrentados pelos jornalistas timorenses sejam superados. O formador ressaltou que no seu país de origem, o Brasil, os profissionais precisaram de se unir para exigir melhores condições de trabalho, pressionando governantes e empregadores. Como resultado, obtiveram conquistas importantes, como a aprovação da lei de acesso à informação, o estabelecimento de um piso salarial sempre reajustado acima da inflação e a implementação de uma carga de trabalho de cinco horas diárias, com pagamento de horas extras para o horário cumprido além do previsto.

Equipa da TATOLI

iklan
iklan

Leave a Reply

iklan
error: Content is protected !!