DÍLI, 25 de abril de 2023 (TATOLI) – Na comemoração do Dia Mundial da Luta Contra a Malária, celebrado hoje, o coordenador do Programa Malária, do Ministério da Saúde, Raul Sarmento, afirmou à Tatoli que a autoridade continua a intensificar a prevenção contra a doença.
Raul Sarmento lembrou que, em 2006, Timor-Leste registou mais de 2 mil casos de malária, doença que é transmitida por um mosquito que se reproduz em ambientes com lixo acumulado – um dos grandes problemas de Timor-Leste, sobretudo de Díli, a capital. O coordenador, contudo, afirma que, pelo menos desde 2021, a malária está “praticamente eliminada de Timor-Leste”.
“Este facto representa um grande sucesso, um exemplo para todas as nações”, enfatizou.
O coordenador acrescentou que a situação deu a Timor-Leste a oportunidade de aderir à ASEAN, além de uma outra organização.
“Timor-Leste é também membro do Gabinete Regional do Sudeste Asiático (SEARO, em inglês), que trata de questões de saúde pública. Em setembro, representantes do SEARO vão avaliar a incidência da malária em Timor-Leste para poderem certificar o país como uma nação totalmente livre desta doença. Para obter este reconhecimento, todas as partes devem trabalhar ativamente”, realçou.
Raul Sarmento adiantou que, com esta certificação, Timor-Leste vai ter mais oportunidades no setor do turismo e da economia.
O coordenador do programa salientou também que o foco do serviço de combate à doença estará nos municípios que ficam perto das áreas fronteiriças.
“Em 2022, o país registou dois casos de malária, mas foram considerados importados. Um paciente, de Covalima, tinha estado duas semanas em Kupang, na Indonésia, e regressou ao seu município já com sintomas. Foi uma situação que nos preocupou e nos levou a querer reunir com as autoridades ou com a comunidade na fronteira para podermos prevenir outras situações similares”, afiançou.
Doença que pode levar à morte
A malária é uma doença infeciosa que afeta principalmente as regiões tropicais e subtropicais do mundo. É causada por um parasita chamado Plasmodium, que é transmitido pela picada de mosquitos infetados. Os sintomas da doença incluem febre, calafrios, dor de cabeça, dores musculares e fadiga. Em casos graves, a malária pode levar à morte.
Os medicamentos mais comuns para o tratamento da malária incluem a cloroquina, a mefloquina, a atovaquona-proguanil e a artemisinina combinada com outros remédios.
Emílio Pascoal, estudante do Curso de Enfermagem da Universidade Nacional Timor-Lorosa’e (UNTL) observou que a malária continua a existir e, por isso, “a escassez de medicamentos nos hospitais e nos centros de saúde é preocupante”.
Emílio apelou ainda às autoridades para continuarem a sensibilizar a população sobre esta doença, promovendo hábitos de higiene pública.
Para o estudante a educação cívica é importante, para que os cidadãos não continuem a deitar o lixo em locais impróprios. “É triste que as pessoas só limpem o lixo quando o Governo ou algumas entidades pagam”, lamentou.
Equipa da TATOLI




