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Adérito Correia: “As línguas nativas são património cultural”

Adérito Correia: “As línguas nativas são património cultural”

DÍLI, 21 de fevereiro de 2023 (TATOLI) – A Sala de Leitura Xanana Gusmão, em parceria com algumas entidades do setor privado e diversas organizações não-governamentais, organizou, no âmbito do Dia Internacional da Língua Materna, o seminário “Importánsia Lian Inan ba Setór Edukasaun no Prezervasaun Lian Inan iha Timor-Leste”.

“Esta atividade é um meio para divulgar os idiomas maternos junto dos jovens timorenses. Pretendemos que olhem para a língua nativa como património cultural”, revelou a gestora da Sala de Leitura Xanana Gusmão, Maria Amaral Guterres, em Lecidere, Díli.

O representante do Instituto Nacional de Linguística da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e Adérito Correia enalteceu o povo timorense pelo seu poliglotismo.

“A língua materna é a nossa identidade cultural. Se não tomarmos cuidado e a preservarmos, um dia ela extinguir-se-á. A língua, além de um meio de comunicação, também é uma referência da identidade cultural. Os líderes tradicionais comunicam-se com os antepassados na língua nativa”, afirmou o linguista, após a sua apresentação – A Originalidade da Língua Materna.

O docente considera ainda que a imposição de uma língua estrangeira e a diminuição do número de falantes contribuem para a extinção de uma língua nativa.

O representante da Missão da Comissão Nacional da UNESCO de Timor-Leste, Augusto Salsinha, pronunciou-se a este respeito na sua intervenção Preservação da Língua Materna em Timor-Leste, Nela, Augusto Salsinha afirmou que, como forma de preservar as línguas maternas, foram publicados artigos e livros em línguas locais – laclei (Manufahi), mambae e bunak (Ermera), manetla (Liquiçá), dadua (Manatuto), lolein (Díli), macalero (Lautém), naueti (Viqueque), e em becais (Bobonaro).

“Os falantes locais contaram as suas histórias e os autores transformaram o discurso oral em escrito e publicaram livros e, em alguns casos, dicionários. Desta forma, podemos preservar e salvaguardar a originalidade das nossas línguas nativas”, afirmou o representante da UNESCO.

Augusto Salsinha informou ainda que a missão da Comissão Nacional da UNESCO é contribuir para o desenvolvimento da ciência, para a difusão da informação e ainda para melhorar a qualidade da educação, de modo a conceder as mesmas oportunidades a todas as pessoas.

O representante do Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD) Raimundo José Neto, por seu turno, informou que o ministério da tutela, em parceria com o Governo da Austrália, tem em curso o Programa de Educação Multilingue. Este visa a preservação de línguas maternas através da contratação de mentores timorenses que as lecionam a crianças do ensino pré-escolar, em Lautém, Manatuto e Oé-Cusse e dispõe de um orçamento de 100 mil dólares.

Para Raimundo Neto, “a língua materna é como um meio e um instrumento de ensino e de aprendizagem”.

Recorde-se que, muito recentemente, a UNESCO havia destacada a importância da preservação de línguas maternas e, via sua comissão local, financiado a publicação de livros de histórias e poesia escritos em dialetos considerados em perigo de extinção.

Notícia relevante: CNTL-UNESCO preserva línguas maternas em livros de histórias e poesia

 Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus 

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