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Obras em Bebonuk causam divergências entre moradores, empresa e ministério

Obras em Bebonuk causam divergências entre moradores, empresa e ministério

Estrada inundada em Bebonuk. Fotografia/David Cabral.

DÍLI, 16 de fevereiro de 2023 (TATOLI) –Obras de construção de uma passagem rodoviária com valetas em Bebonuk estão a causar conflitos entre a comunidade local, a empresa construtora Hidayat e o Ministério das Obras Públicas (MOP).

A construção daquela passagem, planeada previamente, começou em 2015, mas, devido a algumas discordâncias no tocante aos valores das indemnizações, incómodos causados pela construção e à resistência de alguns residentes, o andamento da obra tem sido moroso.

O chefe do suco de Bebonuk, Serafim Macedo, lamenta que ainda se esperem indemnizações que “desde 2016 o Governo não resolveu”.

Serafim ressalta que os moradores estão desconfiados diante de incertezas e da falta de esclarecimentos por parte das autoridades. “As pessoas não sabem onde é que vão entregar as reclamações”. Serafim Macedo garantiu que tinha entregado alguns documentos no MOP, mas “quando chegaram ao MOP desapareceram, então significa que o MOP falhou”.

Há, de acordo com o gestor do projeto da companhia Hidayat, Olegário Lopes, “um problema de mentalidades” e que “mudar as pessoas em Bebonuk não é da sua competência, mas do Governo”, admitindo também que “o problema das indemnizações ainda não foi resolvido”.

Olegário afirmou que, entre 2016 e 2021, apresentou ao MOP todos os problemas relacionados à obra, porém até o momento não houve resposta.

Nestes termos, o dirigente máximo do Ministério das Obras Públicas (MOP), Abel Pires, pronunciou-se. Afirmou que, “em lugares como Bebonuk, o problema é que a comunidade não coopera com a companhia” acrescentando que, “quando a comunidade não coopera, nós não podemos fazer nada. Se a comunidade não quer os seus terrenos melhorados, o que é podemos fazer? Precisamos de tempo”.

Abel garantiu que a maioria das pessoas da comunidade de Bebonuk já autorizou as obras. “Só duas ou três famílias é que não autorizaram, mas três famílias podem dificultar o processo de construção e nós não podemos obrigar a companhia a construir uma passagem com valetas, no entanto esforçamo-nos para ter um bom resultado”.

Abel declarou apreciar o trabalho do chefe do suco, mas faz-lhe um apelo: “por favor convença também a comunidade, porque convencer a comunidade não é o nosso trabalho”. Em relação às indemnizações, o MOP estaria a recolher os dados dos moradores para dar seguimento ao processo de pagamento.

Comunidade alega que construção danifica a estrada

O chefe do suco de Bebonuk disse que parte da estrada em frente à capela e ao lado de uma bomba de combustível se estragou devido à construção da obra, mas, noutros lugares, foi por causa da passagem de camiões de carga da empresa, que frequentemente se movimentam na área.

Outro motivo que prejudicou a estrutura da estrada está relacionado com a poeira que afeta a comunidade. Para reduzir a poeira, moradores regam a estrada e, desse modo, os buracos no pavimento aumentam.

O projeto inicia-se na área do Timor Plaza, acaba na praia de Bebonuk e tem um  orçamento de mais de dois milhões de dólares americanos. A companhia contratou mais de 40 trabalhadores, mas depois do problema com a comunidade de Bebonuk agora tem só 10.

A empresa Hidayat quer continuar a trabalhar e acabar a construção, o chefe de suco e o MOP têm desejo semelhante e, neste jogo de atribuição de responsabilidades, os moradores – os mais prejudicados pela construção da passagem – são tidos como os “culpados”. Enquanto isso, a obra segue sem previsão para ser concluída.

Equipa da TATOLI

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