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Víctor Monteiro é exemplo de uma visão empreendedora em Timor-Leste

Víctor Monteiro é exemplo de uma visão empreendedora em Timor-Leste

Víctor Monteiro.

DÍLI, 06 de dezembro de 2023 (TATOLI) – Víctor Monteiro é um jovem que, liderando uma equipa de outros seis jovens, fundou a Multi Science Academy (MSA) da qual é diretor-executivo. Localizada no Bairro Pité, a MSA é uma empresa multifacetada em termos de áreas de formação: ensina temas como formação em liderança, a arte de falar em público, técnicas de pesquisa e organização de informação, mas é na contabilidade e no ensino do programa gráfico Canva (edição de imagens e de vídeos) que tem os seus trunfos formativos.

A MSA é uma academia privada que tem como público-alvo jovens universitários e funcionários públicos. Aqueles preferem o Canva e estes a contabilidade. Entre uns e outros já formou mais de 200 pessoas. Entre as suas atividades, a MSA organiza Olimpíadas na área da contabilidade que mobilizam grupos de estudantes de universidades públicas e privadas e efetuou seminários em instituições de ensino superior. A MSA mobiliza 31 funcionários, incluindo os seis fundadores, dos quais 26 são mulheres. Abarca também vários estagiários que, além de aprenderem a utilizar o Canva e contabilidade, apoiam nas tarefas de gestão da empresa.

Na origem desta empresa está o empresário Víctor Monteiro. Entrevistamo-lo. Víctor da Costa Monteiro nasceu em Lautém, posto administrativo de Lospalos. É o segundo filho de Cedelisio da Costa Monteiro e Aida Lopes. Tem quatro irmãos. Terminou o 1.º ciclo em Lospalos. Logo após três anos mudou-se para a Escola do Ensino Básico n.º 11 de Baucau, onde terminou o 2.º ciclo. Frequentou o 3.° ciclo e ensino secundário no Colégio Dom Bosco de Fatumaca. Nele, além do currículo normal, aprendeu a ser “um bom cristão e um cidadão honesto” de acordo com o lema da educação salesiana. Em 2017 termina os estudos secundários e pensa em estudar medicina na Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL).

Este percurso e a maturidade que Víctor Monteiro revelam levam-no a referir-se ao “problema da educação em Timor-Leste”. Víctor exemplifica com salas de aulas sobrelotadas, a falta de preparação, no ensino secundário, para algumas áreas mais técnicas no ensino superior, como medicina e engenharia e, neste último grau de ensino, a falta de preparação para a língua portuguesa, por parte de professores e alunos, em escolas onde o currículo e muitos materiais de ensino estão naquele idioma. É, no dizer de Victor, algo “preocupante para todos os cidadãos”.

Voltemos à biografia de Víctor Monteiro. O jovem contou que desde muito cedo queria estudar medicina, porque em Timor este curso é ministrado por uma faculdade que privilegia os estudantes que tiveram boas notas no ensino secundário. Mas, a realidade económica da família impôs-se: “O meu sonho era estudar medicina, mas tinha uma responsabilidade com o meu irmão mais velho e o meu pai não tinha dinheiro para custear um curso muito longo [um mínimo de 7 anos]”.

Daí que Victor tenha optado por outro curso superior. E este não incluía Timor-Leste: “Pensei várias vezes que curso iria estudar. Então decidi falar com colegas e com os meus pais e finalmente decidi ir para a Indonésia”.

Normalmente, o ano escolar da Indonésia começa em setembro, mas o jovem decidiu ir mais cedo para aprender a língua local. Contou que, quando lá chegou, decidiu procurar emprego. “Cheguei à Indonésia e fiquei alguns dias em Surabaia e depois fui a Kediri onde encontrei um trabalho. Fui formador de cursos de inglês do nível intermédio no centro Brilliant English Course durante três meses e depois voltei a Surabaia”, contou o Diretor executivo da MSA.

Com algum dinheiro e sendo filho de uma família de rendimentos baixos, decidiu escolher o curso de contabilidade para minimizar os anos de estudo no exterior e voltar para Timor-Leste para ajudar os irmãos mais novos.

“Não desisti do sonho de ser médico, mas quando decidi escolher a contabilidade, pensei no tempo de duração do curso. Sabia que o de medicina demora sete anos a terminar, enquanto outras faculdades precisam só de três ou quatro anos”, conta, sorrindo.

No primeiro semestre foi selecionado pela universidade para participar numa competição, as Olimpíadas Nacionais de Contabilidade, organizada pela Universidade de Malang, Indonésia. Foi ali que descobriu a paixão em estudar economia ou, mais concretamente, contabilidade. Foi selecionado com um dos melhores estudantes, o qual envolveu alguma investigação na área de contabilidade e foi, via bolsa, financiado pelo Ministério da Educação da Indonésia para preparar conteúdos de aprendizagem na área de contabilidade.

“Já apresentei quatro artigos científicos. Um em Roma, dois na Turquia e um na Indonésia”, contou Víctor com orgulho.

O jovem acha que cada pessoa tem um sonho e uma ambição, mas, ao longo do percurso de vida, tem de, além de decidir o que é melhor para si, pensar na família e, no caso dele, uma família com baixos rendimentos. “Esta decisão surgiu da responsabilidade de economizar o tempo, por isso não me arrependo de estudar contabilidade”.

De regresso a Timor-Leste, o jovem contou que concorreu para algumas vagas de empregos públicos, mas nunca foi selecionado.

“Pensei que quando terminasse os meus estudos iria encontrar um bom emprego em Timor-Leste, mas já concorri sete vezes para concursos públicos e não fui selecionado em nenhum. Por isso, pensei noutras possibilidades para ajudar os meus irmãos”, explicou.

Um dia contactou com ex-colegas da turma do ensino secundário, porque queria fazer algo em Timor. Sabia que eles tinham tempo livre e, com aqueles, planearam o que veio a ser a Multi Science Academy. Um dos primeiros passos foi organizar um seminário sobre contabilidade em colaboração com estudantes do Institute Of Business (IOB), em Díli.

Agora, o maior sonho é, nos próximos dez anos, transformar a MSA numa universidade para preparar recursos humanos capazes na área de contabilidade.

A veia empreendedora de Víctor Monteiro não parou com a MSA. O jovem começou um novo plano de negócios. Criou a empresa Monte Group e, com ela, conseguiu conquistar um prémio numa competição sobre negócios, organizada pelo Ministério do Comércio e Indústria, em 2022.  Utilizou os seus conhecimentos e investiu na produção de óleo de coco.

“Já encomendei várias máquinas de produção de óleo de coco e algumas delas já estão em Díli e outras no porto de Tíbar. Se tudo correr bem, vou começar o trabalho no início de fevereiro”, concluiu, com esperança, Víctor Monteiro.

 Equipa da TATOLI

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