DÍLI, 26 de outubro de 2022 (TATOLI) – O Parlamento Nacional (PN) timorense agradeceu o apoio das autoridades portugueses na resolução dos problemas de migração laboral de cidadãos timorenses para Portugal.
O Presidente do PN, Aniceto Guterres, afirmou, na Assembleia Parlamentar da CPLP, em Lisboa, que o problema em causa é preocupante para as autoridades de Timor-Leste.
“Timor-Leste encontra-se numa difícil encruzilhada, mas está ciente da necessidade de intervir antes que a situação assuma maior gravidade. Desde já agradeço às autoridades portuguesas o apoio que nos têm dado para a resolução deste problema. A migração laboral tornou-se um aspeto determinante da realidade social e económica de muitos países e Timor-Leste não é exceção”, realçou o presidente.
Aniceto Guterres recordou ainda que Timor-Leste deu um enorme salto na qualidade da mobilidade laboral, através dos seus percursos regulares ao abrigo de acordos de cooperação entre governos da Coreia do Sul e da Austrália e da mobilidade laboral com financiamento privado.
Recorde-se que, desde o início do Programa de Trabalhadores Sazonais em 2011, o Governo, através da Secretaria de Estado para a Formação Profissional e Emprego, conseguiu mobilizar cerca de cinco mil trabalhadores timorenses para a Austrália e três mil para a Coreia do Sul.
“Portugal é um destino popular para os trabalhadores migrantes que têm meios ou que conseguem pedir dinheiro emprestado para financiar a sua viagem. No entanto, temos assistido a uma vaga de migração promovida por agências de trabalho temporário que, através de um comportamento condenável, beneficiam da ingenuidade e falta de informação de muitas pessoas”, referiu.
Aniceto Guterres reconheceu que o aumento de agências de recrutamento ilegal em Timor-Leste, que promovem a migração irregular e o tráfico de pessoas, conduz a condições de exploração de mão-de-obra, colocando os migrantes em situação de grande vulnerabilidade.
“A migração laboral é uma realidade e uma escolha e os governos têm de assegurar que é uma escolha consciente e segura para todos os intervenientes” concluiu.
Encontram-se atualmente em Portugal cerca de cinco mil timorenses que enfrentam uma situação altamente precária.
O Governo português criou um grupo de trabalho para prestar assistência humanitária aos timorenses constituído pela Embaixada de Timor-Leste, pelo Alto Comissariado para as Migrações, pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional de Portugal, pela Câmara Municipal de Lisboa, pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, pela Guarda Nacional Republicana e pela Caritas.
Notícia relevante: Timor-Leste vai discutir com Portugal soluções para ajudar timorenses
Jornalista: Domingos Piedade Freitas
Editora: Maria Auxiliadora




