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Jorge Nunes: “Temos de aprender a língua portuguesa para podermos comunicar com o mundo”

Jorge Nunes: “Temos de aprender a língua portuguesa para podermos comunicar com o mundo”

Funcionário do MEJD. Jorge Nunes.

DÍLI, 05 de maio de 2022 (TATOLI) – Jorge Nunes recebeu-nos no seu local de trabalho, receoso, mas de braços abertos. Tio Jorge, sexagenário, é um exemplo daquela geração de timorenses para quem a língua portuguesa carrega um peso afetivo.

Experimentou o período de ocupação indonésia onde o português não era de uso autorizado (“paralisado”, nas palavras do entrevistado), pelo que agora vê-se-lhe nos olhos a nostalgia de outros tempos. “Aprendi português no antigo Liceu Dr. Francisco Machado, de 1969 a 1975”.

Uns anos depois foi diretor de uma escola, onde também promoveu o uso e ensino da língua portuguesa. Saído desta função, continua a falar este idioma.

“Falo com a minha mulher, com outros colegas, com parentes e amigos”. O fenómeno não é inédito: após aprenderem o português na escola, para muitos timorenses o uso da língua confina-se a um círculo de pessoas restrito muito embora os dados mostrem que a língua portuguesa se vai alargando a mais pessoas.

Jorge Nunes experimenta dificuldades? “Sem dúvida. Dificuldades sempre tive. Eu quando escrevo não sei muito bem sobre as regras de pontuação.” Não é o que transparece das suas palavras ditas. Para aperfeiçoar o português, Jorge Nunes não se privou de frequentar cursos de formação e fez ainda um bacharelato na UNTL.

Para Jorge Nunes a implantação da língua portuguesa em Timor-Leste tem vantagens óbvias: “É uma língua rica em vocabulário e considerando que estamos na era da globalização precisamos de conhecer outras línguas para podermos contactar com mais pessoas em várias regiões do mundo”. Acrescenta, também, que o português, em contraponto ao tétum, “é uma língua científica”.

Se pudesse”, diz o katuas (o velho), “escolheria Portugal e Cabo Verde” como países lusófonos a visitar. Porque, no primeiro, daria mais “ênfase” e teria mais “significado” no seu uso do português e, no segundo, pela semelhança entre os cabo-verdianos e timorenses na “maneira de ser”.

Este funcionário do Departamento de Protocolo, Comunicação e Cooperação do MEJD, não escamoteia o valor da língua portuguesa: ” é um meio de comunicação em que nós podemos comunicar com os outros, podemos aprender com os outros, tirar proveito e benefício dos outros. Devemos aprender a língua portuguesa porque temos uma relação histórica com Portugal e devemo-nos orgulhar em conhecer esta língua (…) para podermos transformar o mundo e o nosso país”.

De resto, se tivesse poder de mandar na educação e nas escolas, a aprendizagem e uso do português seria obrigatório e o tétum auxiliar.

Jorge Nunes evidencia no rosto as linhas de uma vida plenamente vivida. De resto, para este katuas, a língua portuguesa “tem de ser vivida” e, por isso, refere que, “tal como as pessoas que rezam, rezam sempre, também a língua portuguesa tem de se falar sempre”.

Notícia relevante: Deolindo dos Santos: “Língua Portuguesa é um meio para a vida profissional”

Jornalista: Isaura Lemos

Editora: Maria Auxiliadora

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One Comment

  1. Dedicated este poema ao meu colega Jorge Nunes

    A Lingua Portuguesa em TL e como um appendix do corpo humano!

    E parte integrante da nossa historia
    Faz parte da nossa identidade
    Ponho assim de maneira simploria
    Uma tao grande verdade

    Corre-nos no sangue, e parte integrante
    Foi usada na luta levada por irmao estafeta
    Em materia de coracao, e amante
    Como insecto, e a nossa borboleta

    Nao se pode ver-se livre deste patrimonio
    Guardem-na debaixo da almofada
    E como todo bom matrimonio
    E como toda boa carne guisada

    Carlos Batista
    Liceu Dr Francisco Machado 1965/1970

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