DÍLI, 12 de outubro de 2021 (TATOLI) – Os encarregados de educação mostraram-se preocupados com o facto de as escolas privadas terem mantido o pagamento completo das propinas durante a imposição da cerca sanitária e confinamento obrigatório para fazer face à crise sanitária provocada pela covid-19 no país.
O representante dos encarregados de educação, Mario Tilman, pediu ao Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD) que se coordenasse com as escolas privadas para reduzirem as propinas escolares.
“Recebemos queixas sobre a implementação das propinas nas escolas privadas durante a cerca sanitária e o confinamento obrigatório, mesmo com todas as aulas suspensas. Quando o Governo levantou a cerca sanitária e as atividades letivas recomeçaram, os estabelecimentos escolares exigiram o pagamento das propinas entre os meses de maio e agosto”, afirmou Mario Tilman à Tatoli, em Bidau Lecidere, Díli.
Tilman salientou que os pais têm de pagar 41 dólares, entre maio e agosto, para que os seus filhos possam participar no exame do segundo semestre.
O representante dos pais criticou igualmente as escolas por falta rigor na criação de um grupo de WhatsApp para facilitar o processo do ensino a distância.
“Os nossos filhos não têm telemóveis, mas podem ter acesso ao grupo de WhatsApp através do telemóvel dos pais. No entanto, este grupo não apresentou grande vantagem para os alunos, porque não incluía materiais didáticos de cada disciplina. A escola criou-o para poder exigir o pagamento”, acusou.
Mario Tilman apontou o exemplo de algumas escolas privadas em Tíbar que não pediram o pagamento das propinas durante este período difícil.
“Será que o Ministério da Educação controla mesmo estas escolas? Temos essa dúvida”, questionou.
Também uma representante das encarregadas de educação, Ludovina Fontes Leite, exigiu ao MEJD que solicitasse às escolas privadas a redução do pagamento das propinas.
“Tenho de pagar mensalmente 29 dólares americanos para propinas, o que não inclui o valor que também pago para a manutenção da escola. Apesar de os meus filhos terem participado no ensino a distância, o pagamento das propinas foi igual ao presencial. Devemos atualizar primeiro o pagamento das propinas para que os nossos filhos possam realizar o exame”, disse.
Segundo Ludovina Fontes Leite, sem pagamento completo, os estudantes não poderão entrar na escola e frequentar as aulas.
“Sentimos muitas dificuldades durante a pandemia da covid-19, porque tivemos prejuízo nos nossos negócios, o que afeta diretamente a nossa economia”, sublinhou.
O Parlamento Nacional também pediu ao MEJD que solicitasse às escolas privadas a redução do custo das propinas.
“Pedimos ao MEJD para procurar uma solução e chegar a um acordo com as escolas privadas para diminuírem o valor das propinas”, sugeriu recentemente o Vice-Presidente da Bancada KHUNTO, o deputado António Verdial.
Duas escolas privadas, o Colégio de São José Operário e a Paulo VI, deram uma tolerância aos seus alunos de pagamento de propinas correspondente a apenas dez meses, pois, durante a imposição da cerca sanitária e confinamento obrigatório, as escolas não prestaram o auxílio devido aos alunos para participarem adequadamente nas aulas.
Desde o surgimento do novo coronavírus no país, o MEJD suspendeu o processo de aprendizagem presencial na capital e nos municípios com maior número de casos para conter a propagação desta doença infeciosa.
Já o ministério anunciou no mês passado que as aulas presenciais de todas as escolas públicas e privadas em Díli poderiam recomeçar a 20 de setembro, desde que cumprissem certos requisitos, como a vacinação dos professores.
Jornalista: Isaura Lemos de Deus
Editora: Maria Auxiliadora




