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OPINIÃO

Jubileu – 75 anos da chegada dos salesianos a Díli

Jubileu – 75 anos da chegada dos salesianos a Díli

(22 de setembro de 1946 – 22 de setembro de 2021)

Fundadores (da segunda expedição):Um sacerdote português (padre Manuel Preto), e um irmão coadjutor português (Sr. Jose Ribeiro), (um italiano, padre Aníbal Vighetti, um espanhol, senhor Juan Aranda, e um checoslovaco, Jose Kúsy).

Ao longo de 75 anos, passaram por Timor 15 sacerdotes portugueses; 3 faleceram em Timor; 3 abandonaram a Congregação. Neste momento permanece no território um diácono, Baltazar Pires. Irmãos coadjutores 14 (dois vivos, em Portugal: Manuel Fernandes e Carlos Monteiro)), 4 abandonaram a Congregação.

Salesianos de outras nações: Italianos, espanhóis, eslovaco, filipinos, indianos.

O padre Hermínio Rossetti, antigo director da casa de Díli (1927-1929), nunca perdeu a esperança de que os Salesianos haveriam de voltar a Timor. De facto, na década dos anos 30 do século XX, houve esforços de se reabrir a obra salesiana em Timor.

Em 1935, o Provincial de Portugal, Padre Hermenegildo Carrá, escrevendo ao padre Pedro Ricaldone, Prefeito da Congregação, afirmava que era necessário que a Sociedade salesiana fosse reconhecida como uma Corporação missionária. Assim poderia receber os subsídios do Estado, para ajudar na manutenção das Casas de Formação: Seminário Menor de Poiares, Noviciado e Filosofia e Teologia. Em troca os Salesianos comprometer-se-iam em preparar pessoal português disponível para ser enviado para as Colónias. Havendo já pessoal, a Congregação estaria disposta a enviar missionários para o Ultramar, incluindo Timor.

E mais dizia o padre Hermenegildo Carrá, que o Governo Português tinha feito um pedido aos salesianos para abrir uma escola agrícola em Timor.

Assente o acordo tácito entre o Governo Português e os superiores, houve a necessidade de preparar o pessoal para enviar para Timor, em 1941 Os salesianos que deviam ser enviados para aquela colónia eram: padre Francisco Leite (superior), padre Miguel Rodrigues, coadjutor Carlos Marques, coadjutor Domingos Alves, coadjutor Matias Lourenço e o clérigo José Fernandes.  Aconteceu que no dia 19 de fevereiro de 1942, tropas japonesas tinham invadido Díli. Com a escalada do conflito bélico no Pacífico, a viagem dos Salesianos para Timor ficou adiada. Mais tarde, os superiores tomaram a decisão de abrir uma presença em Cabo Verde, e para lá partia a equipa que anteriormente deveria embarcar para Díli.

Conta-se que os Salesianos, em vista dos mesmos subsídios do Governo, ofereceram os seus préstimos para irem para Moçambique. Facto que lhes foi negado pelo Ministro do Ultramar que ripostou: “Se quiserem ir para Moçambique que vão! Mas paguem-lhes que do Governo não receberão nenhum tostão…” O senhor Ministro era Armindo Marques Monteiro.

No seu livro sobre a presença dos salesianos na ilha de Moçambique, escreve o padre José Adolfo Duro: “Só o Ministro das Colónias, julga-se que por pressão do Bispo de Macau, fez finca-pé e opunha-se a que os Salesianos fundassem qualquer obra noutras possessões ultramarinas portuguesas, sem primeiro se estabelecerem em Timor”.

Terminada a Segunda Grande Guerra Mundial, realizou-se a reocupação de Timor Português por parte das autoridades portuguesas. Foi nomeado governador da Província de Timor o capitão Óscar Freire de Vasconcelos Ruas. Parece que antes de o novo governante embarcar, ele teria solicitado ao Ministro das Colónias [Professor Marcelo Caetano] a abertura de uma Escola agrícola em Timor, e para isso sugeria a ida dos padres salesianos. A este propósito ouçamos as palavras do padre Manuel Alves Preto: “Aquela expedição missionária, planeada e improvisada em 15 dias, ficou-se a dever-se ao dinamismo do Governador de Timor, Capitão Óscar Ruas, que então se encontrava em Lisboa e fez-se para acudir as prementes necessidades da Missões de Timor, a pedido insistente de Sua     Ex. cia Reverendíssima D. Jaime Garcia Goulart, primeiro e actual bispo da nossa Diocese”.

Segunda Expedição missionária: (1946)

20 de Julho despedida:

Em Julho de 1946, o padre Inspector Hermenegildo Carrá (1935-1949) depois de ter ouvido o parecer favorável do Conselho Inspectorial, tomou a iniciativa de constituir a primeira equipa a ser enviada para Timor Português. Faziam parte do grupo os padres Manuel Alves Preto, português e Aníbal Vighetti, italiano e os irmãos coadjutores João Aranda Sanz, espanhol, José Ribeiro, português, e José Kúsy, eslovaco.

No dia 20 de Julho de 1946, realizou-se a cerimónia de despedida dos cinco salesianos destinados a Timor. Oiçamos a crónica:

Despedida de cinco missionários salesianos

«Logo a seguir, pelas 19 horas, a tocante cerimónia de despedida de cinco missionários salesianos, que partiram no dia 22 de Julho para abrir a Missão salesiana na longínqua e martirizada Ilha de Timor.

Presidiu o Reverendíssimo Inspector Salesiano, Dr. Hermenegildo Carrá. Os missionários, Reverendos Padres Manuel José Alves Preto e Aníbal Vighetti, irmãos Coajutores José Kússy, João Aranda Sanz e José Ribeiro deram entrada na capela ao som do hino missionário, que foi seguido do Magnificat.

O Rev.do Dr. José Maria Alves, representante dos Corporação Missionária salesiana, fez uma vibrante alocução em que enalteceu o espirito missionário de Portugal e o zelo apostólico dos filhos de S. João Bosco.

O Revdo. Dr. Carrá benzeu e impôs o crucifixo aos novos missionários. Assistiram à tocante cerimónia todos os alunos das Oficinas, os Alunos dos Cursos Filosófico e Teológico do Estoril, os Directores de todas as Casas Salesianas de Portugal e numerosos Benfeitores e Cooperadores Salesianos. Por fim os missionários, alegres e comovidos, despediram-se dos seus Superiores e Amigos. Acompanham-nos as nossas orações, o nosso afecto, a nossa admiração”.

O grupo saiu de Lisboa, a 23 de Julho, viajando no paquete Quanza. Depois de navegarem pelo Atlântico e Índico, o navio atracou na ponte-cais de Díli, no dia 22 de Setembro de 1946.

23 de Julho de 1946: embarque no navio Quanza:

22 de  Setembro de 1946: chegada a Dili.

“Foi na claríssima madrugada de 22 de Setembro que o barco chegou a Díli. Havia nascido o sol. Pouco antes, o balão vermelho retocara de carmim as águas acinzentadas no oceano e realçava de oiro pálido os contornos imprecisos das montanhas. Para o longe, divisavam-se as ilhas espalhadas na distância. Díli estava diante de nós: língua de areia fulva, polvilhada de verdura, sob a qual espreitavam ruínas e casas de palapa. (…) Os nossos olhos bailavam nos píncaros que, aqui e além, fendiam o azul do céu, envoltos numa neblina ténue”.  (Manuel Ferreira)

Da crónica do Padre Manuel Preto:

«No porto, esperava-nos o automóvel do Sr. Bispo que nos recebeu jubilosamente na sua residência e, desde então nos tem cumulado de atenções e de provas inequívocas de que é de facto um grande amigo que aqui temos. Hoje mesmo escolhemos, para instalação provisória do Colégio, o edifício da missão de Lahane, que está em vias de reparação, pois ficou muito danificado da ocupação japonesa. O pavilhão de baixo está completamente destelhado e os muros fendidos, não excluindo a capelinha.

A missão de Laboro [seria Laulara], que visitámos hoje de manhã, e que era ideal por ter uma granja e por ser mais salubre, tem grandes inconvenientes de não ter instalações que bastem para albergar 100 rapazes e instalar escolas e oficinas e, sobretudo, de estar muito fora do centro.

Lahane tem dois problemas importantes que estamos a procurar resolver: o pátio; e o da horta que, provavelmente, vai ficar a uma distância de 20 minutos ou mais, a cavalo.

O senhor Governador continua entusiasmado com a vinda dos Salesianos. Cumprimentámo-lo ainda a bordo e por estes dias devemos ter uma audiência dele: Assuntos de material, género e artigos para as oficinas.

Actualemente continuam em Díli as obras de descarregamento. Díli fica a 1,5 km daqui.

Importante! A oficina mais desejada aqui é a sapataria. Quem vier, que traga máquinas de braço e ajuntar, jogo completo de ferramenta e o máximo de material.

Para a Marcenaria precisaríamos de mais um mestre: o Governador quer e conta com a oficina para os madeiramentos de Nova Díli: portas, janelas, etc. etc.

Para o ano, não se pode dispensar a Tipografia! Precisamos: 1 geleira, bibliografia timorense, 2 caixas de papel químico, máquinas de moer e torrar café, 15 a 20 dúzias de protectores c/ parafusos, esmalte branco e azul, 30 kg de arame p/ redes de cama, 6 pincéis sorteados, de n.º 7 para cima, 3 brochas para tinta de óleo, 12 rolos fotográficos, tipo Leyca.

As coisas precisas que enumerei que as tragam os que hão-de vir agora, sem falta!

Saudades a todos e de todos. De V. Reverencia.

26 de setembro de 1946.

Pe.  Manuel Preto» .

Desenvolvimento

Depois de Díli, fundaram-se as obras em Fuiloro (1948), Ossu (1961), Baucau (1962), Fatumaca (1964).

Em 10 d e junho de 1983, as obras passaram para a Inspectoria/Província  das Filipinas (Norte) primeiro, e depois, para a Inpsectoria de Filipnas   Sul)(Decreto  do Reitor Mor Padre Egidio Viganó).

Entretanto, surgiram novas presenças: Lospalos, Laga, Venilale, Dili (Comoro). Noviciado (1983), aspirantados (Venilale e Fatumaca), pre noviciado, posnoviciado.

Obras n em Jacarta (Sunter 1985).

15 de agosto 1998: Visitadoria (Decreto do Reitor Mor, Padre Juan Vecchi)

2018: No tempo do Reitor Mor Ángel Fernandez, foram constituídas  2 Visitadorias: Visitadoria  de Timor-Leste e Vistadoria da Indonésia.

Pessoal: Neste ano de 2021, acerca das vocações nativas de Timor-Leste, os últimos dados recolhidos pela Secretaria provincial da Visitadoria “São Calisto Caravario” mostram:  há 2 Prelado (1 Arcebispo e 1 bispo). 61 sacerdotes; 2 diáconos. Estudantes de Teologia: 24 (10 de votos perpétuos e 14 de votos temporários). Estudantes de Filosofia:38. Tirocinantes: 18. Irmãos coadjutores de votos perpétuos: 9. Irmãos coadjutores de votos temporários: 10. Noviços: 12.   Missionários: 10.

Lisboa, 21 de Setembro 2021

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo

Laureado prémio Nobel da Paz 1996

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