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Comunicação social timorense com mais e melhor informação em português

Comunicação social timorense com mais e melhor informação em português

Os formandos do CLJ. Imagem do CLJ.

DÍLI, 05 de maio de 2021 (TATOLI) – Assinala-se hoje o Dia Mundial da Língua Portuguesa e a Tatoli dá-lhe a conhecer um dos promotores do português em Timor-Leste, a comunicação social. O Consultório da Língua para Jornalistas (CLJ) é o projeto de cooperação que atua na área da formação de jornalistas em português.

O CLJ, que decorre da cooperação entre o Camões I.P. e a Secretaria de Estado para a Comunicação Social (SECOMS), sendo atualmente executado pelo Centro de Formação Técnica em Comunicação (CEFTEC), procura melhorar as competências de língua portuguesa dos jornalistas e profissionais ligados à comunicação do Governo. Os seus resultados são já visíveis.

Cláudia Taveira, a coordenadora-adjunta do CLJ, revelou que o projeto ajudou, na primeira fase, entre 2016 e 2020, na revisão linguística de mais de 13 mil notícias e reportagens em língua portuguesa e na formação de mais de 210 profissionais nos diferentes níveis de proficiência de português – A1/A2, B1, B2 e B2+.

Segundo a coordenadora-adjunta, grande parte dos conteúdos foi corrigida por revisores linguísticos timorenses, formados pelo projeto e responsáveis atualmente pela correção de cerca de 95% dos erros que surgem nas notícias.

“Foi também visível um aumento do número de conteúdos informativos em língua portuguesa”, disse a formadora de língua portuguesa, numa entrevista à Tatoli, esta quarta-feira.

A professora, que chegou a Timor-Leste em 2002, considera que a língua portuguesa é uma ferramenta importante para todos os jornalistas timorenses, mesmo aqueles que escrevem em tétum.

“Precisam de dominar a língua portuguesa, uma vez que não há escrita jornalística em tétum sem português. Grande parte das palavras das notícias em tétum provém de empréstimos do português”, afirmou.

A professora, com algum domínio da língua tétum, salientou ainda que dominar o português significa escrever melhor e transmitir informação mais fidedigna. “É também uma mais-valia, porque a informação em português não se fica por Timor-Leste. O português é uma língua global”.

Além dos revisores, o projeto conta com formadores que apoiam diariamente a revisão linguística de informação em português.

“Procuramos que todas as notícias sejam discutidas entre formadores e jornalistas para que estes ganhem cada vez mais autonomia linguística. Também aqui os resultados se sentem”, contou.

Questionada sobre o progresso dos jornalistas no domínio língua portuguesa, a professora reconheceu que ainda há um longo caminho a percorrer, mas os resultados já são visíveis.

“Apesar de as formações de Português para Jornalistas terem começado recentemente, temos mais e melhor informação em língua portuguesa”, afirmou.

A segunda fase do projeto, além da formação de Português Geral para jornalistas e da revisão linguística, pretende dar mais apoio às redações na produção de informação em português.

“Selecionaremos 20 jovens que receberão formação de Português para Jornalistas, Fundamentos do Jornalismo e de Jornalismo e farão os seus estágios em diferentes órgãos de comunicação social. Teremos igualmente formação de Jornalismo, porque a transmissão de informação fidedigna em português também depende da melhoria das competências técnicas dos jornalistas”.

A coordenadora-adjunta explicou ainda que as exigências profissionais dos jornalistas dificultam a frequência da formação intensiva e obrigam a esforços enormes para concluir a formação.

“Ainda assim, a assiduidade nos cursos ultrapassa os 90%, o que demonstra o interesse na aprendizagem da língua. Há também alguns desafios. Falta, em geral, mais contacto diário com a língua além da sala de aula, nomeadamente com a leitura. Existem ainda lacunas difíceis de ultrapassar, que se prendem com o tipo de escolaridade prévia dos formandos. Não são exclusivas dos jornalistas, mas neste grupo têm uma grande projeção”.

Taveira avançou que o projeto investirá nesta segunda fase em cursos como Matemática para Jornalistas, Redação, Conhecimentos Gerais ou Pensamento Crítico e Lógica.

A formadora, a viver em Timor-Leste há 16 anos, considera que o português se está a desenvolver no país. Recorda os problemas, em 2002, na comunicação com os seus alunos do 3.º ciclo e com os colegas timorenses a quem dava formação de Português.

“Lembro-me da dificuldade em explicar algumas palavras do português, que agora são de uso corrente em tétum. O português está a desenvolver-se em Timor-Leste e todos os timorenses, apesar de níveis de proficiência diferentes, têm algum domínio da língua. O português está também a entrar na vida dos timorenses através do tétum”, afirmou.

“Parece-me igualmente crescente a vontade de aprender português, sobretudo por parte dos jovens. Temos recebido muitas inscrições para os cursos de Português para Jornalistas”, acrescentou.

Jornalista: Maria Auxiliadora

Editor: Zezito Silva

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