DÍLI, 10 de novembro de 2020 (TATOLI) – Os resultados dos Censos Agrícolas de 2019 revelam que 141.141 famílias timorenses vivem da agricultura, o equivalente a 66%, dos 213.417 que totalizam o número de agregados familiares.
Os dados mostram ainda que, entre as famílias que gerem propriedades agrícolas, 85% são lideradas por homens e somente 15% por mulheres.
O mesmo documento dá também conta de que os 66% de agregados familiares que vivem da agricultura ocupam ao todo 216.180 hectares de áreas cultivadas, enquanto 3.070 hectares de áreas de cultivo pertencem a 597 instituições.

A Ministra das Finanças em exercício, Sara Lobo Brites, adiantou, no âmbito do lançamento dos resultados finais dos censos, que 62% dos agricultores vivem da criação de bovinos, 92% de caprinos e 82% dedicam-se a atividades avícolas.
“Os dados permitem dar-nos a conhecer a produtividade no subsetor da pecuária. É essencial para contribuir para a melhoria da nutrição da população, fornecer maior rendimento aos produtores pecuários ganhar mais competências para substituir a importação e promover o setor da exportação no futuro”, disse Sara Lobo.
Ainda de acordo com o documento, 7.768 agregados familiares estão envolvidos nas atividades de pesca e aquicultura, o equivalente a 60%, dos quais 25% não usam o tradicional beiro.
“Os dados indicam, por outro lado, que, apesar de Timor-Leste possuir potencial no subsetor de pescas, é confrangedora a falta da participação dos agregados familiares que continuam a usar práticas tradicionais”, referiu.
Quanto à escolaridade das famílias dependentes da agricultura, o estudo aponta para o facto de 28,2% de famílias nunca terem frequentado a escola, 27,6% frequentaram apenas o ensino primário, 13,5% estudaram até ao ensino pré-secundário, 15,8% o ensino secundário, 2,2% têm bacharelato e apenas 3,9% licenciatura.
A ministra Sara Lobo afirmou também que o Governo se compromete a promover uma política com base em evidências, pelo que os dados dos Censos Agrícolas agora divulgados comtemplarão os novos censos da população, que se realizarão em 2021, bem como a Pesquisa sobre os Padrões de Vida em Timor-Leste, no ano de 2022.
“Os dados permitem-nos saber quais as componentes da nossa camada social, analisar diversos aspetos, tais como a agricultura, demografia e padrões de vida da população”, afirmou.

Também o Diretor-Geral de Estatística do Ministério das Finanças, Elias dos Santos Ferreira, confirmou que 66% da população timorense vive da agricultura, recordando que, para se ser agricultor, se deverá possuir 0,02 hectares de área cultivada.
“Tem de ter no mínimo dois cavalos e búfalos, três cabras, porcos e dez aves. Estes requisitos guiaram-nos para sabermos detalhadamente o número exato de agricultores em Timor-Leste”, afirmou.
Recorde-se que a preparação dos Censos Agrícolas arrancou em 2018 e realizou-se em todo o território entre 12 de agosto de 2019 e 30 de outubro do mesmo ano.
A realização dos primeiros Censos Agrícolas em Timor-Leste contou com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, em inglês).
De acordo com os dados dos Censos da População de 2015, o total de agregados familiares em Timor-Leste era de 204.597 e nos Censos Agrícolas de 2019 subiu para 213.417, o que representa um aumento de 4%. O total da população em 2015 era superior a 1,1 milhões de habitantes, enquanto nos Censos Agrícolas de 2019 se registou uma subida de 3%.
Notícia relevante: Resultados de Censos Agrícolas de 2019 revistos em Banguecoque antes do lançamento
Jornalista: Maria Auxiliadora
Editor: Zezito Silva




