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Ângela Freitas: GRNDJC adia manifestação devido a intervenção de Lere Anan Timur 

Ângela Freitas: GRNDJC adia manifestação devido a intervenção de Lere Anan Timur 

Porta-voz do Grupo da Resistência Nacional para a Defesa da Justiça e Constituição da RDTL (GRNDJC), Ângela Freitas.

DÍLI, 02 de setembro de 2020 (TATOLI)-  A porta-voz do Grupo da Resistência Nacional para a Defesa da Justiça e Constituição da RDTL (GRNDJC), Ângela Freitas, e elementos do seu grupo encontraram-se, hoje, com o Comandante-Geral da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), para informar sobre o adiamento da realização da manifestação junto do Presidente da República (PR), Francisco Guterres ‘Lú Olo’, devido à enorme pressão exercida pelas FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

O GRNDJC considera que a mobilização das forças armadas que visa pressionar o grupo é liderada pelo Chefe do Estado Maior das F-FDTL, Major General Lere Anan Timur.

Ângela Freitas recordou que o GRNDJC pretendia mobilizar uma massa de manifestantes oriundos de 12 municípios e da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse-Ambeno (RAEOA) para efetuar uma ação pacífica de protesto junto do Chefe de Estado, entre os dias 4 e 18 de setembro deste ano. Contudo, refere a porta-voz,  a mesma fica adiada por causa de pressões diretas vindas das F-FDTL.

Segundo a porta-voz, as ameaças feitas por elementos das F-FDTL tiveram lugar no dia 1 de setembro, pelas 14h00, tendo alegadamente sido efetuadas buscas ilegais à sua residência bem como pressões à equipa da Comissão Organizadora que estava a preparar a instalação das tendas, em Tasi Tolu.

“Esta atitude demonstra que o nosso país quer aplicar uma ditadura militar. O GRNDJC decidiu então mudar o dia da ação pacífica para outra data devido ao acontecimento de ontem, que terá inibido eventuais manifestantes”, disse Ângela Freitas, esta segunda-feira (01/09), em conferência de imprensa, aos jornalistas, no Bairro dos Grilos, Díli.

Ângela considerou a decisão de Lere Anan Timur de mandar cercar a sua residência por militares armados, com caras tapadas com máscaras, como uma ação que desrespeita as regras democráticas.

“O General Lere não devia dar ordens para ‘atar’ e ‘pisar’. Isto é uma provocação, pois os outros países também acompanham a nossa situação. O que aconteceu é uma violação dos direitos humanos. O processo de democratização em Timor-Leste está sob a observação da Organização das Nações Unidas. A ação das F-FDTL viola a Constituição, nomeadamente os artigos 146.º sobre as competências das forças armadas, e o 147.º determina as competências da PNTL. Vamos comunicar diretamente com as organizações internacionais para estarmos a par da nossa situação”, frisou.

A porta-voz acrescentou que a ação das F-FDTL é desprovida de qualquer base legal e lembra que apenas o Tribunal possui competências para emitir mandados de captura dos cidadãos que desrespeitam a lei.

“O GRNDJC defende a Constituição e expressa a sua liberdade, conforme previsto no artigo 42.º da CRDTL, sobre a liberdade de reunião e manifestação. As forças armadas violam, como tal, este artigo. Lamento profundamente a atitude dos nossos militares de efetuar buscas e ameaçar os membros do GRNDJC”, lamentou Ângela.

Segundo Ângela, as F-FDTL efetuaram uma “emboscada à sua residência”, ignorando as próprias competências da PNTL, ações que não deviam acontecer no atual país democrático.

“O nosso objetivo principal é apenas apresentar uma petição ao Presidente ‘Lú Olo’ de modo a melhorar a situação e solucionar a crise política”, concluiu.

Jornalista: Eugénio Pereira

Editor: Francisco Simões 

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