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CNTI elabora esboço de lei sobre medidas que proíbem envolvimento de crianças em atividades laborais

CNTI elabora esboço de lei sobre medidas que proíbem envolvimento de crianças em atividades laborais

Imagem/António Gonçalves.

DILI, 29 de outubro de 2020 (TATOLI) – A Comissão Nacional contra o Trabalho Infantil (CNTI) procederá à elaboração de um esboço de lei para a proibição do envolvimento de crianças em atividades económicas.

O Presidente da CNTI, Aniceto Leto Soro, revelou que o segundo objetivo do plano de ação nacional de combate ao trabalho infantil é efetuar alterações ao quadro legal relativo às crianças, nomeadamente a elaboração de determinadas regras durante o período compreendido entre 2021 e 2025.

“Estamos, neste momento, a elaborar o esboço de lei. Quando o concluirmos, vamos apresentá-lo em Conselho de Ministros, mas tudo dependerá do calendário. Terá início em 2021 e terminará em 2025, tempo determinado para a concretização do trabalho”, adiantou Aniceto Leto Soro, no Timor Plaza, em Díli.

O diretor-executivo referiu ainda que a CNTI não definiu ainda quais as atividades laborais consideradas perigosas para as crianças na medida em que está, presentemente, ocupado com a preparação do esboço de lei em causa.

“Precisamos, por isso, de uma lei que possa integrar a lista de todas as atividades laborais perigosas. O esboço está quase finalizado. Caso a lei seja aprovada em Conselho de Ministros, tornar-se-á numa base legal onde serão elencadas as atividades proibidas para as crianças”, disse.

O presidente acrescentou que as atividades perigosas levadas a cabo por crianças, vítimas do trabalho infantil, acabam por prejudicar o seu desenvolvimento cognitivo e físico, pondo em causa todo o seu percurso escolar. Por este motivo,  sublinha ser necessário  proceder à definição de regras para impedir o trabalho infantil, flagelo que afeta um número significativo de crianças em Timor-Leste.

“Temos de elencar todas as atividades laborais proibidas às crianças com menos de 17 anos, sobretudo entre os cinco e os 12 anos, de forma a podermos erradicar de vez o trabalho infantil. Quanto às crianças entre os 13 e os 15 anos, poderão realizar determinadas tarefas, mas consideradas leves”, informou.

Recorde-se que a Organização Internacional de Trabalho (OIT), em parceria com a Direcção-Geral de Estatística do Ministério das Finanças, levaram a cabo uma pesquisa, em 2016, sobre o trabalho infantil em Timor-Leste, cujos resultados davam conta de que 67.688 crianças entre os cinco e os 17 anos, o equivalente a 16%, estavam envolvidas em atividades económicas.

Ainda segundo os mesmos dados, das 67.688 de crianças, 12,5% estavam envolvidas em trabalho penoso e perigoso, que prejudicava a sua saúde mental e a sua educação.

Já o Secretário de Estado para Formação Profissional e Emprego (SEFOPE), Alarico de Rosário, disse que o trabalho infantil constitui uma preocupação de todos os quadrantes da sociedade timorense, na medida em que os dados recentes mostram que uma percentagem significativa de crianças entre os cinco e os 17 anos são vítimas de trabalho infantil, na sua esmagadora maioria vendedores ambulantes.

“O trabalho infantil é uma questão que nos preocupa a todos nós. Temos, pois, de tomar medidas concretas que ponham fim a este flagelo”, disse ontem Alarico de Rosário, no âmbito do seminário sobre o trabalho infantil.

Notícia relevante: UNICEF e OIT apoiam Governo na identificação de lacunas na erradicação do trabalho infantil

Jornalista: Nelia Fernandes

Editora: Maria Auxiliadora

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