DÍLI, 23 de junho de 2026 (TATOLI) – Os companheiros de luta do antigo Presidente da República Francisco Guterres “Lú Olo” descreveram-no como um homem simples, dedicado à independência, e com uma profunda ligação humana.
O Chefe do Estado-Maior-General das FALINTIL-Forças de Defesa Nacional de Timor-Leste (F-FDTL), Tenente-General Falur Rate Laek, visivelmente emocionado, afirmou ter perdido não apenas um camarada de luta, mas também “um irmão de vida”.
“Perdi um irmão, um companheiro de escola, de juventude e de resistência. Partilhámos os momentos mais difíceis da nossa história, enfrentámos juntos os sacrifícios da luta armada e, mais tarde, participámos lado a lado na construção do Estado timorense. A nossa proximidade ultrapassava até os laços de sangue. Era uma amizade construída ao longo de décadas de sofrimento, esperança e compromisso com a pátria”, disse, no Farol, em Díli.
Falur Rate Laek recordou ainda o último encontro que teve com “Lú Olo” antes da sua partida para a Malásia, onde iria receber tratamento médico.
“No dia em que se preparava para viajar, estive com ele para me despedir. Conversámos tranquilamente e encontrava-se consciente e sereno. Disse-me apenas que tinha um problema cardíaco e que seguiria para a Malásia para receber tratamento. Nunca imaginei que aquele seria o nosso último diálogo”, contou.
O Chefe do Estado-Maior-General das F-FDTL lamentou que o companheiro tenha regressado ao país sem vida. “Há poucos dias falávamos juntos numa varanda. Hoje recebemo-lo dentro de um caixão. É uma realidade difícil de aceitar, mas faz parte do ciclo da vida. Nenhum de nós desejava este desfecho. Contudo, o legado que deixou permanecerá vivo e continuará a servir de referência para as futuras gerações”, afirmou.
Também Domingos Soares Sarmento, conhecido por Ramelito, veterano da resistência e companheiro de “Lú Olo” durante os anos da luta clandestina e armada, destacou a personalidade serena e conciliadora do ex-Chefe de Estado.
“O saudoso “Lú Olo” era um homem de uma paciência extraordinária. Mesmo perante as maiores dificuldades, mantinha-se calmo e sereno. Nunca o vi agir com raiva ou guardar ressentimentos. Era uma pessoa simples, humilde e respeitadora. Essa forma de estar acompanhou-o até ao último dia da sua vida”, recordou.
Ramelito confessou que a notícia da morte de “Lú Olo” provocou profunda tristeza entre os veteranos da resistência e, em particular, entre a população de Viqueque, terra natal do falecido.
“Quando partiu para tratamento médico, acreditávamos que regressaria recuperado. Em vez disso, recebemo-lo num caixão. É uma dor muito difícil para todos nós. A população de Viqueque perdeu um dos seus filhos mais ilustres, um homem de bom coração, que nunca procurou conflitos e que sempre tratou todos com respeito”, afirmou.
O veterano recordou ainda uma das memórias mais marcantes que partilhou com “Lú Olo” durante a resistência, em 1991: a caminhada que ambos fizeram entre Uaimori, em Viqueque, e Remexio, em Aileu.
“Foram tempos de enorme sacrifício, mas também de grande união. Caminhámos juntos pelos trilhos da resistência, enfrentando perigos e incertezas. Essas memórias jamais serão apagadas. Estivemos juntos em Loihunu, Ossú e noutras zonas de Viqueque durante anos. A sua dedicação à causa nacional era total”, sublinhou.
Notícia relevante: Corpo de “Lú Olo” chega ao Farol sob forte emoção de familiares e populares
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




