DÍLI, 19 de junho de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, considera que o El Niño pode agravar a falta de água em várias regiões do país, com risco de secarem rios e nascentes.
A este propósito, Ramos-Horta convocou hoje uma reunião, no Palácio Presidencial, com membros do Governo e com representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) para analisar os riscos do fenómeno climático e discutir respostas antecipadas para proteger a população.
Segundo o PR, a reunião visou acelerar a criação de um plano nacional de contingência. O processo será depois articulado em Conselho de Ministros, já que o primeiro-ministro Xanana Gusmão está em missão oficial no estrangeiro.
As previsões internacionais que indicam que o El Niño poderá atingir uma intensidade comparável aos episódios mais severos registados desde o século XIX, com temperaturas mais altas e uma redução significativa da chuva no Sudeste Asiático, no Pacífico e noutras regiões.
O Chefe de Estado alertou que o fenómeno pode atingir proporções extremas, o chamado “Godzilla El Niño” — termo popular e alarmista usado para designar um El Niño excecionalmente forte, devido à sua intensidade e potencial destrutivo.
“É um monstro climático que poderá provocar um aumento da temperatura de até três graus, secas prolongadas e impactos severos em várias regiões do mundo”, afirmou.
Ramos-Horta sublinhou que o fenómeno se deverá intensificar a partir de julho e se poderá prolongar por cerca de um ano, com impacto direto na segurança alimentar e no abastecimento de água.
“Não haverá chuva suficiente. O calor vai aumentar e isso vai destruir colheitas, afetar animais e reduzir a disponibilidade de água”, disse.
No plano económico, Ramos-Horta alertou para o impacto nos preços dos produtos importados, sobretudo do arroz. Como Timor-Leste importa a maioria dos alimentos, o país pode enfrentar forte pressão inflacionária e risco de insegurança alimentar.
“Se for necessário, teremos de mobilizar recursos para garantir que a população não passa fome”, ressalvou.
O PR defendeu igualmente a criação de uma força-tarefa nacional específica para o El Niño e a elaboração urgente de um plano interministerial de resposta, envolvendo setores como o da agricultura, o da saúde, o das obras públicas, o da solidariedade social, o das forças de segurança e o da proteção civil.
Ramos-Horta alertou ainda para efeitos regionais, como incêndios florestais no Sudeste Asiático e o aumento da poluição atmosférica. A poluição pode afetar países vizinhos como Indonésia, Malásia e Singapura.
“Precisamos de agir já, com base em dados técnicos, para reduzir o impacto sobre a população, sobretudo nas comunidades rurais e vulneráveis”, concluiu.
Notícia relevante: ONU alerta para intensificação de fenómenos climáticos devido ao El Niño
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




