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Xanana defende urgência na delimitação marítima com Indonésia para travar pesca ilegal

Xanana defende urgência na delimitação marítima com Indonésia para travar pesca ilegal

O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão. Foto da Tatoli/Egas Cristóvão

DÍLI, 23 de abril de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste perde anualmente milhões de dólares devido à pesca ilegal nas suas águas, um fenómeno que continua a constituir um desafio para o país. Por isso, o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, defendeu a necessidade urgente de se resolver a delimitação das fronteiras marítimas com a Indonésia, como medida essencial para reforçar o controlo das águas nacionais.

A informação foi revelada pelo Chefe do Governo após o término de um encontro com o Presidente da República, José Ramos-Horta, no Palácio Presidencial, em Díli, onde anunciou a sua deslocação a Singapura para participar na terceira ronda de negociações sobre a delimitação das fronteiras marítimas.

“Informei o Presidente da República de que, no sábado, partirei para Singapura para participar na terceira ronda de negociações sobre a fronteira marítima. Esperamos alcançar um entendimento mútuo, pois Timor-Leste continua a perder dezenas de milhões de dólares no Mar de Timor”, afirmou Xanana Gusmão.

O Chefe do Executivo sublinhou que a presença recorrente de embarcações estrangeiras envolvidas em pesca ilegal evidencia a capacidade limitada do país para exercer uma vigilância eficaz das suas águas territoriais.

Segundo Xanana Gusmão, esta questão já foi debatida em reunião do Conselho de Ministros, sendo que a Polícia Nacional de Timor-Leste, através da Unidade da Polícia Marítima, foi orientada a investir na formação de pilotos para operar embarcações de grande porte, indispensáveis para o patrulhamento em mar aberto.

“Quando tivermos recursos humanos devidamente preparados, poderemos adquirir embarcações de maior dimensão para patrulhar e controlar os nossos recursos marinhos, especialmente o pescado. Paralelamente, com a definição clara das fronteiras marítimas com a Indonésia, será possível reforçar o controlo contra atividades ilegais”, acrescentou.

A mesma ideia foi defendida pelo Secretário de Estado das Pescas, Domingos dos Santos. “O problema é que, enquanto não houver uma fronteira marítima claramente definida, torna-se difícil fiscalizar. Quando intercetados, os infratores alegam frequentemente que se encontram em águas sob a sua jurisdição”, explicou.

Recorde-se que as autoridades policiais tinham apreendido, na passada sexta-feira, uma embarcação de pesca com bandeira indonésia que operava ilegalmente nas águas nacionais.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Timor-Leste perdeu mais de 48,5 milhões de dólares entre 2024 e 2026 devido à pesca ilegal, com cerca de 2.200 toneladas de peixe retiradas das águas nacionais.

Notícia relevante: Embarcações de pesca ilegal aumentam nas águas timorenses

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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