DÍLI, 16 de abril de 2026 (TATOLI) – O Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas (MAPPF) realizou hoje uma reunião com os parceiros de desenvolvimento para promover uma abordagem unificada com vista ao desenvolvimento dos setores da agricultura, pecuária, pescas e florestas no país.
Segundo o Ministro da tutela, Marcos da Cruz, o encontro é uma atividade que se realiza anualmente e que tem como objetivo reforçar a coordenação com os parceiros de desenvolvimento, permitindo a partilha de resultados do ano anterior e a definição conjunta de prioridades futuras.

O governante destacou o aumento do consumo médio anual de peixe, de 6,1 kg por pessoa em 2011 para 8,7 kg entre 2024 e 2025. “Isto demonstra um progresso significativo”, referiu Marcos da Cruz, frisando que, em 2025, o ministério reabilitou centros de viveiros de peixe em dez municípios, com o objetivo de fornecer alevinos a cerca de 500 grupos de aquicultores em todo o território.
No setor agrícola, destacou a necessidade de se reforçar a coordenação a todos os níveis, incluindo com os Presidentes das Autoridades Municipais, uma vez que, em algumas iniciativas — como a distribuição de tratores ligeiros — se registaram falhas de coordenação em municípios como Viqueque e Covalima.
“Todas estas atividades trazem benefícios diretos à população, permitindo gerar rendimento e melhorar as condições de vida. Esta discussão coletiva contribui também para o ciclo de formulação do Orçamento Geral do Estado e permite promover investimentos estratégicos nos setores ligados à agricultura”, acrescentou.
Por sua vez, o Embaixador do Japão em Timor-Leste, Yamamoto Yasushi, destacou que a adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) marca um novo capítulo para o país, abrindo oportunidades comerciais nos setores da agricultura, pecuária, pescas e florestas, com acesso a um mercado regional de cerca de 680 milhões de consumidores.
Segundo o diplomata, estes setores-chave continuam a ser fundamentais para a segurança alimentar e para o desenvolvimento rural em Timor-Leste. O aumento da produção agrícola será essencial para reduzir a dependência de produtos importados.
“Este encontro constitui uma oportunidade importante para rever progressos, aprofundar a compreensão das prioridades do MAPPF para os próximos anos e explorar formas de os parceiros de desenvolvimento apoiarem melhor o setor no contexto da integração do país na ASEAN. A nossa responsabilidade conjunta é transformar estas oportunidades em benefícios reais para agricultores, pescadores, comunidades rurais e para a economia em geral”, afirmou.

Na mesma linha, a Vice-Chefe da missão dos Estados Unidos em Timor-Leste, Charlette Betts, defendeu que o MAPPF deve adotar uma abordagem que assente em coordenação, planeamento e gestão eficiente de recursos, com foco em resultados no terreno.
A diplomata elogiou os esforços do ministério na colaboração com os parceiros de desenvolvimento, através do encontro e dos grupos de trabalho técnicos em curso. “Aguardamos que o Governo apresente, em breve, o Roteiro Nacional para a Implementação do Setor Alimentar, Agricultura e Florestas da ASEAN 2026-2030, o que será importante para garantir uma coordenação inclusiva com todos os parceiros relevantes”, afirmou.
Sublinhou ainda a importância da articulação entre os ministérios setoriais, em particular com o Ministério das Finanças, bem como com as autoridades locais e com o setor privado, salientando que a transformação agrícola exige uma visão unificada e coerente.
Salientou que o plano setorial da ASEAN para Alimentação, Agricultura e Florestas 2026-2030 deverá servir de referência estratégica, enquanto o recente relatório de mapeamento dos programas dos parceiros de desenvolvimento constitui uma ferramenta útil para avaliar a situação atual.
Relativamente ao planeamento e à alocação de recursos, destacou que um planeamento estratégico baseado em evidências é fundamental para a viabilidade económica de Timor-Leste no contexto da ASEAN.
Defendeu ainda a necessidade de se avaliar objetivamente projetos em curso e passados, identificar limitações e estabelecer metas realistas. Sublinhou também a importância de se consolidar as lições aprendidas e de se integrar iniciativas bem-sucedidas nos sistemas e orçamentos do Estado.
Relativamente à modernização da agricultura, Charlette Betts destacou que esta é essencial para que Timor-Leste aproveite as oportunidades da adesão à ASEAN, promovendo a transição para uma agricultura mais moderna e competitiva.
Salientou, contudo, que a modernização deve ir além das infraestruturas e dos equipamentos, devem incluir reformas institucionais, capacitação e maior envolvimento do setor privado, em linha com os padrões da ASEAN. São necessárias intervenções em toda a cadeia de valor, da produção ao mercado, adaptadas ao contexto local e às capacidades existentes.
Foi ainda destacado que, na fase de produção, a irrigação, a recuperação de solos, o uso de sementes de qualidade e os serviços fitossanitários e veterinários contribuem para aumentar a produtividade. O reforço das cooperativas, o acesso ao financiamento e a partilha de técnicas modernas são igualmente essenciais.
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Jornalista: Arminda Fonseca/Traduções: Equipa da Tatoli
Editor: Rafael Ximenes de A. Belo




