DÍLI, 23 de março de 2026 (TATOLI) – O Ministério da Saúde (MS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) realizaram a 1.ª edição do Simpósio Nacional de Tuberculose para assinalar o Dia Mundial da Tuberculose, celebrado anualmente a 24 de março, com o objetivo de pôr fim àquela doença no país.
Durante a sua intervenção, o Representante da OMS em Timor-Leste, Arvind Mathur, afirmou que o encontro é simultaneamente oportuno e estratégico, permitindo refletir não só sobre os progressos alcançados, mas, sobretudo, alinhar as ações decisivas necessárias para acelerar o fim da tuberculose.
“Timor-Leste tem demonstrado uma liderança louvável na tradução dos compromissos globais em resultados concretos. A expansão dos diagnósticos moleculares rápidos, o reforço da vigilância integrada baseada em casos e a crescente integração dos serviços de tuberculose nos cuidados de saúde primários estão em consonância com as mais recentes orientações da OMS e as melhores práticas internacionais”, referiu.
De acordo com o dirigente, inovações como as tecnologias digitais para apoio à adesão ao tratamento e os sistemas de apoio centrados no doente são especialmente relevantes, refletindo um sistema de saúde cada vez mais orientado por dados, focado nas pessoas e na ciência.
O responsável sublinhou que o apelo global da OMS para 2026 é “Juntos pela Saúde, com a Ciência ao Nosso Lado”, acrescentando, no entanto, que, apesar dos progressos, a carga da tuberculose continua a ser significativa.
Referiu ainda que persistem lacunas no acesso, desigualdades geográficas e constrangimentos no sistema de saúde que limitam o impacto total dos esforços em curso. Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de se reconhecer uma mudança crítica no contexto global.
“Vivemos numa era marcada por múltiplas crises convergentes — conflitos, alterações climáticas e um panorama de financiamento em rápida transformação. A ajuda ao desenvolvimento está a tornar-se mais limitada e menos previsível. O Fundo Global e outros parceiros continuam a ser vitais, mas não podem, nem devem, ser os únicos pilares a sustentar as respostas nacionais”, frisou.
Arvind Mathur defendeu a necessidade de uma “transição estratégica” na resposta à tuberculose em Timor-Leste, passando da dependência externa para a resiliência nacional, dos compromissos para investimentos concretos e dos planos para resultados mensuráveis.
O responsável sublinhou que os países que investem internamente no combate à doença, sobretudo na deteção precoce, no tratamento preventivo e no reforço dos cuidados de saúde primários, conseguem reduzir mais rapidamente a incidência e a mortalidade.
Neste contexto, apontou como prioridades para Timor-Leste o reforço da deteção ativa de casos através de rastreio sistemático e investigação de contactos, a expansão do tratamento preventivo para populações de alto risco e uma maior integração dos serviços de tuberculose nos cuidados de saúde primários, através do Programa Integrado de Saúde.
Defendeu ainda o investimento em sistemas de saúde mais resilientes para garantir a sustentabilidade dos serviços essenciais de tuberculose, como medicamentos, diagnósticos e sistemas de apoio.
“O investimento na tuberculose não é um custo, mas sim um dos investimentos com maior retorno em saúde pública”, afirmou, destacando benefícios ao nível da produtividade, da resiliência económica e do bem-estar social.
De acordo com dados do MS, foram registados no ano passado 5.309 casos de tuberculose, cem dos quais resultaram em morte.
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Equipa da Tatoli




