DÍLI, 2 de fevereiro de 2026 (TATOLI) — O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou para uma crise financeira sem precedentes que ameaça a integridade do organismo internacional.
Numa carta enviada aos Estados-Membros a que a Tatoli teve acesso, o responsável descreveu um cenário alarmante de falha no pagamento das contribuições avaliadas pelos países, situação que coloca em risco o funcionamento dos programas da ONU e a estabilidade financeira da organização.
De acordo com António Guterres, o organismo enfrenta um ciclo financeiro “kafkiano”, onde se vê obrigada a devolver montantes não recebidos, agravando ainda mais a crise de liquidez. A falta de pagamentos das contribuições avaliadas, que financiam grande parte do orçamento regular aprovado, tem levado a uma situação insustentável. Como consequência, a organização não tem conseguido cobrir os custos dos seus programas e operações, forçando-a a uma redução significativa nos gastos e, em alguns casos, adiamentos de pagamentos a países contribuintes de tropas.
Em 2025, as dívidas em atraso alcançaram um recorde histórico de 1,568 mil milhões de dólares americanos — mais do que o dobro do valor do ano anterior. As cobranças cobriram apenas 76,7% das contribuições avaliadas, deixando a ONU com reservas de liquidez drasticamente reduzidas, apesar das medidas de austeridade já implementadas.
Se a situação não melhorar, António Guterres prevê que o orçamento de 2026 possa ficar sem fundos já em julho, levando a uma paragem nas operações.
Em relação à manutenção de paz, uma das áreas mais afetadas, a organização está a implementar cortes de 15% nas despesas para 2025/2026, devido à redução dos pagamentos das contribuições
Segundo o dirigente, essa decisão, por sua vez, trará mais complicações financeiras, já que, segundo as regras da organização, a ONU terá de devolver quase 900 milhões em julho de 2027, quantia não gasta devido à escassez de fundos.
A carta do Secretário-Geral descreve uma situação em que, sob as regras financeiras atuais, a ONU se vê forçada a devolver cerca de 1,3 mil milhões até 2027, valor referente a contribuições que nunca foram pagas pelos Estados-Membros. O impacto é particularmente grave para os países em desenvolvimento, que contribuem com tropas para as operações de paz e estão a sofrer com a demora nos pagamentos, o que afeta diretamente a execução das missões.
Para António Guterres, a única solução para evitar o colapso financeiro da organização passa pela reformulação das regras financeiras, permitindo maior flexibilidade na gestão dos fundos. Sem uma ação urgente, o risco de a ONU enfrentar uma crise irreversível é iminente.
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Equipa da Tatoli




