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Banco Mundial e BAD destacam oportunidades de investimento em Timor-Leste

Banco Mundial e BAD destacam oportunidades de investimento em Timor-Leste

Banco Mundial e BAD destacam oportunidades de investimento em Timor-Leste. Foto de Afonso do Rosário

DÍLI, 20 de novembro de 2025 (TATOLI) – O Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) destacaram hoje, em Díli, que Timor-Leste apresenta um ambiente “cada vez mais favorável ao investimento, com estabilidade macroeconómica, incentivos legais e setores estratégicos em crescimento”.

As declarações foram proferidas pelo Representante do Banco Mundial, George da Silva, e pelo Representante do BAD, Bold Sandagdorj, durante o seminário Doing Business with Malaysia, organizado pela Malaysia External Trade Development Corporation em parceria com a Embaixada da Malásia, a decorrer no Palm Spring Hotel, em Díli.

George da Silva, na sua apresentação, afirmou que a economia timorense se apoia em duas bases fundamentais que tornam o país mais previsível para investidores: o Fundo Petrolífero apontado como um dos mais transparentes do mundo e a dolarização da economia.

“O Fundo Petrolífero estabiliza as finanças públicas e apoia o desenvolvimento, enquanto a utilização de dólar reduz o risco cambial e contribui para uma inflação mais baixa”, afirmou.

Segundo o Banco Mundial, os indicadores mais recentes revelam tendências positivas de inflação, potencial de crescimento do Produto Interno Bruto e aumento da poupança nacional. A adesão à Organização Mundial de Comércio e à Associação das Nações do Sudeste Asiático “reforça igualmente o clima favorável ao comércio e investimento”.

George da Silva explicou que existem necessidades de mercado ainda por preencher, especialmente para empresas estrangeiras.

“Para empresas malaias, Timor-Leste representa um mercado em crescimento, com uma competição relativamente baixa e um Governo empenhado na diversificação económica”, referiu.

Entre os setores com maior procura, o Banco Mundial identificou: maquinaria e materiais de construção, produtos alimentares, equipamentos eletrónicos, combustível e bens de consumo diário.

George da Silva destacou ainda oportunidades em infraestruturas públicas, serviços e desenvolvimento digital, onde investimentos iniciais “podem alcançar impacto significativo”.

No domínio dos recursos naturais, o responsável sublinhou o potencial do campo petrolífero Greater Sunrise, considerado um ativo estratégico de longo prazo. Recordou também que o Executivo “está a promover” a diversificação económica através da exploração responsável de ouro, cobre e calcário, do fortalecimento das pescas e aquacultura e da expansão das infraestruturas portuárias.

Por sua vez, Bold Sandagdorj afirmou que o BAD mantém um forte alinhamento entre a sua Estratégia de Parceria 2023–2027 e as prioridades do Executivo timorense.

“O nosso foco é o desenvolvimento de infraestruturas resilientes, serviços básicos e um ambiente que incentive a diversificação económica para além do setor petrolífero”, destacou.

O dirigente revelou ainda que a carteira ativa do BAD em Timor-Leste ultrapassa os 624 milhões de dólares americanos, abrangendo transportes, água, urbanismo e novos projetos em energia, agricultura e desenvolvimento social. O responsável garantiu que a instituição continuará a apoiar a integração regional.

“O BAD continuará a apoiar Timor-Leste na implementação dos compromissos decorrentes da adesão à ASEAN”, afirmou, mencionando ainda iniciativas não soberanas, incluindo financiamento comercial, mercados de carbono, identificação digital e projetos de energia solar com armazenamento de baterias.

O responsável acrescentou que um dos pontos destacados foi a Lei do Investimento Privado que garante: igualdade de tratamento para investidores nacionais e estrangeiros; proteção contra expropriação; repatriação de lucros; e incentivos fiscais de cinco, oito ou dez anos, conforme o tipo e a localização do investimento.

“A lei permite ainda o acesso a terrenos estatais por arrendamento até 50 anos, renováveis por mais 25, com possibilidade de extensão até cem anos. Estas condições reduzem incertezas e atraem investimento de médio e longo prazo”, afirmou.

O Banco Mundial e o BAD alertaram para fatores que podem condicionar o ritmo de crescimento económico, incluindo: a gestão sustentável do Fundo Petrolífero; a volatilidade global; os choques climáticos; os custos elevados de eletricidade; e dificuldades na execução de projetos públicos.

O acesso à terra continua a ser um dos obstáculos mais apontados pelo setor privado devido à limitada emissão de títulos de propriedade pelo Ministério da Justiça, o que pode atrasar investimentos.

Os intervenientes concluíram que Timor-Leste oferece um quadro favorável ao investimento, abrindo oportunidades para empresas estrangeiras em setores como infraestruturas, serviços digitais, turismo, indústria transformadora e logística. Contudo, defenderam que reformas institucionais contínuas são essenciais para transformar o potencial económico em investimento efetivo.

Notícia relevante: TradeInvest destaca oportunidades de negócio com investidores da Malásia

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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