DÍLI, 22 de outubro de 2024 (TATOLI) – “No que diz respeito aos assuntos internacionais, a Indonésia escolheu um caminho livre, não queremos seguir nenhum pacto militar, por isso queremos escolher o caminho da amizade com todos os países”, incluindo o excerto “especialmente com os seus vizinhos”. Este terá sido o teor do discurso do novo Presidente da República da Indonésia, Prabowo Subianto, tendo como destinatário a comunidade internacional. Foi proferido na cerimónia de tomada de posse para o mandato 2024 e 2029, que decorreu no passado dia 20 deste mês, em Jacarta.
No plano interno, o novo Chefe de Estado da Indonésia reconheceu problemas importantes a superar, como a segurança alimentar, habitação e emprego, comprometendo-se a unir esforços para melhorar as condições de vida na Indonésia. De facto, um dos maiores desafios da atual Indonésia é o fosso de desenvolvimento entre as regiões oriental e ocidental e entre as zonas urbanas e rurais. Este fosso é evidente e generalizado, desde as infraestruturas básicas até à disponibilidade de serviços públicos como a educação e a saúde.
Indonésia: um colosso asiático
A indonésia é um país localizado entre o Sudeste Asiático e a Austrália. De teor republicano, com poder legislativo e presidente eleitos por sufrágio universal, a sua capital é a cidade de Jacarta, com uma população de cerca de 10 milhões de pessoas. Está, todavia, em construção uma nova dados os problemas de afundamento que a atual capital enfrenta. É um dos membros fundadores da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e membro do G20.
Geograficamente é o maior arquipélago do mundo, tendo fonteiras terrestres com a parte oriental da Malásia (na ilha de Bornéu), Timor-Leste (na ilha de Timor) e a Papua-Nova Guiné (na Nova Guiné), e marítimas com as Filipinas, Malásia, Singapura, Palau, Austrália e com o território indiano de Andamão e Nicobar.
A economia indonésia é a décima sexta maior do mundo e a sétima maior em paridade do poder de compra. É um país rico em recursos naturais, contrastando com sua população, que é, em sua maioria, de baixos rendimentos. Com índices de crescimento muito baseados no consumo interno, o país é um dos primeiros exportadores de petróleo, estanho e borracha do mundo. A maior parte de sua população continua vinculada à agricultura de subsistência, à pesca e à exploração florestal.
Em 2020, o seu Índice de Desenvolvimento Humano era 0,590 (numa escala de 0 a 1). Em 2023 estimava-se uma população de quase 280 milhões de pessoas, um produto interno bruto (PIB) de quase 4,4 biliões de dólares e um PIB per capita (rendimento médio anual por pessoa) a rondar os 15.800 dólares. É um Estado-nação independente desde 1949, tornando-se, desde então, no maior país muçulmano do mundo rondando uma taxa de 90%. A Indonésia, fruto de um processo de reconciliação, tem mantido relações amistosas com Timor-Leste com vários projetos de cooperação em andamento, sendo um dos países que apoiam a adesão à ASEAN.
Prabowo Subianto: breves notas biográficas
Prabowo Subianto, nascido em 17 de outubro de 1951, é um político, empresário e ex-tenente-general do exército indonésio. Formou-se na Academia Militar da Indonésia em 1970 e serviu principalmente nas Forças Especiais (Kopassus) até ser nomeado para liderar o Comando da Reserva Estratégica (Kostrad) em 1998. Recebeu formação como oficial superior do Exército dos Estados Unidos entre 1980 e 1985. Participou na ocupação militar de Timor-Leste em 1983.
Foi promovido ao posto de general e depois a chefe das forças estratégicas de reserva do exército indonésio (Kostrad). Após a queda da ditadura, exilou-se na Jordânia durante vários anos. Regressado ao seu país natal, enveredou pelos negócios com seu irmão na agricultura extensiva e na indústria do papel.
No início de 2008, criou, com colegas, o Partido Gerindra. Nas eleições presidenciais de 2009 concorreu sem sucesso à vice-presidência com Megawati Sukarnoputri. Disputou as eleições presidenciais de 2014 e foi derrotado pelo governador de Jacarta, Joko Widodo. Fez outra candidatura sem sucesso à presidência em 2019 com o apoio do Partido Gerindra e outros partidos de menor expressão. No mesmo ano é nomeado Ministro da defesa.
Apreciações de Xanana Gusmão na cerimónia de tomada de posse
Presente na cerimónia, o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, manifestou a sua satisfação por participar no momento solene junto com representantes de diversos países. “O discurso do Presidente foi, acima de tudo, uma mensagem orientada para a sociedade viver em paz, sem divisões, permitindo que todos contribuam para o desenvolvimento do país”, apontou Xanana Gusmão.
Todavia, o Primeiro-Ministro timorense quis destacar um ponto essencial no discurso de Prabowo Subianto: “enquanto Presidente, não pode olhar apenas para si próprio, família ou grupo, mas sim servir o povo”. Xanana Gusmão acrescentou que “é um pensamento que eu também sempre defendi”.
“O novo Presidente Indonésio falou sobre os problemas que a Indonésia enfrenta, não só em termos de alimentação, mas também na falta de habitação e emprego. Sobre as relações internacionais, Prabowo afirmou que toda a Indonésia apoia o Estado da Palestina, uma posição que também partilhamos”, lembrou Xanana Gusmão.
O Primeiro-Ministro timorense reforçou que a política externa do Governo é baseada na independência e soberania: “Para Timor-Leste, não há aliados nem inimigos, todos são apenas amigos. Numa conjuntura internacional atualmente complexa, este continuará a ser o princípio que guia Timor-Leste nas suas relações externas”.
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Jornalista: Natalino Belo/Tradutor/Equipa da Tatoli
Editor: Evaristo Martins




