DÍLI, 15 de dezembro de 2021 (TATOLI) – A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) anunciou já o pedido de Timor-Leste para a inscrição do tecido tradicional, o Tais, como património cultural imaterial em necessidade de salvaguarda urgente.
O Secretário-Executivo da Comissão Nacional de Timor-Leste para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Jacarta, Francisco Barreto, revelou que o reconhecimento oficial do Tais de Timor foi feito a 14 de dezembro de 2021, por volta das 13h00, hora de Paris, 23h00 em Timor-Leste.
A nomeação foi feita pelo Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, liderado pelo Secretário-Geral da Comissão Nacional do Sri Lanka para a UNESCO, Punchi Nilame Meegaswatte.
O secretário-executivo referiu ainda que o processo de preparação da nomeação do Tais foi feito com o apoio de parceiros internacionais, como a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e do Governo.
“A comissão avaliou o Tais através da documentação em vídeo e fotografias enviada para a UNESCO Paris, que o reconheceu e incluiu na lista do Património Cultural Imaterial do país, pois a inovação e a tecnologia moderna ameaçam a perda de originalidade do produto”, disse.
O secretário-executivo recordou que a UNESCO e o Governo prepararam, em 2019, a documentação em vídeo e fotografias sobre o Tais, que enviaram, a 16 de março de 2020, para a UNESCO.
“A UNESCO de Paris continuará a dar assistência de salvaguarda do Tais nos próximos três anos, com um valor de 265.895 dólares americanos, garantindo formação sobre o seu processo de tecelagem a jovens e sensibilização da população para a importância do produto”, adiantou.
O responsável sublinhou ainda que a nomeação é uma vantagem para o país, pois é reconhecido como património cultural, o que terá um impacto positivo na economia comunitária.
Francisco Barreto acrescentou que Timor-Leste se sente orgulhoso, porque a UNESCO já reconheceu o Tais como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
“Temos de envidar todos os esforços para prepararmos outros produtos para serem nomeados como património cultural”, concluiu.
Já o Diretor-Geral da Secretaria de Estado da Arte e Cultura, Manuel Smith, tinha antes revelado que a UNESCO, sediada em Paris, reconheceria, no próximo dia 16 de dezembro, o tecido tradicional timorense como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Manuel Smith mostra-se orgulhoso com o reconhecimento mundial do tecido tradicional timorense como identidade do país após 20 anos da independência.
“Apesar de outros países terem o Tais, ele também faz parte da identidade de Timor-Leste. Se a UNESCO o identificar como uma das nossas riquezas, estamos prontos para receber as críticas dos países vizinhos, porque alguns países na Ásia também têm o seu Tais, sobretudo a Indonésia”, disse.
Questionado sobre os moldes de registo do Tais na UNESCO, Manuel Smith explicou que estão preenchidos todos os critérios relativos à convenção de 2003.
O Secretário de Estado da Arte e Cultura, Teófilo Caldas, tinha antes dito que a UNESCO já tinha registado o Tais como património de Timor-Leste com o número 1688.
Jornalista: Jesuína Xavier
Editora: Maria Auxiliadora




