DÍLI, 09 de novembro de 2021 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, disse que o Executivo registou três impactos socioeconómicos causados pela crise sanitária em Timor-Leste.
“O Governo acompanha o entendimento de que a crise pandémica representa, em primeiro lugar, uma oportunidade para refletirmos sobre algumas das nossas vulnerabilidades estruturais, em especial aquelas que foram exacerbadas nos últimos dois anos, nomeadamente a excessiva dependência de produtos importados, falta de produção nacional de bens alimentares ou essenciais, baixa qualificação da mão de obra e escassez de recurso aos meios tecnológicos e digitais”, disse o Chefe do Governo, na cerimónia de Lançamento da Pesquisa sobre os Impactos Socioeconómicos da COVID-19 em Timor-Leste, no Hotel Timor, Díli.
“Em segundo lugar, alguns outros efeitos do novo coronavírus, mesmo não constituindo objeto dos inquéritos, cujos resultados passamos hoje a conhecer, julgo relevante referir, por exemplo, a educação, que é agora, certamente, uma das perdedoras líquidas da pandemia”, acrescentou.
Para Taur, existe uma geração que vai precisar de recuperar aprendizagens, face ao atraso no seu percurso, apesar do ensino remoto emergencial.
Segundo o Chefe do Governo, está-se a fazer balanços no mundo todo das várias experiências de ensino emergencial a vários níveis, que gerou também inovações que podem sobreviver à crise.
“As empresas, governos e várias instituições realizam agora reuniões à distância. Teses universitárias são defendidas à distância. Criam-se órgãos que funcionam à distância. Isso tudo contribui para diminuir imensamente as viagens e os encontros presenciais, bem como proporcionar redução de custos”, referiu.
De acordo Taur Matan Ruak, foi reconfortante constatar que a ciência é uma das grandes vitoriosas da crise, que se tornou muito colaborativa. “Quando se pensava que se ia entrar no nacionalismo das vacinas, na corrida de quem chegava primeiro, a ciência tornou-se colaborativa”.
“Viu-se, logo no início da crise, que em muito pouco tempo se tinha feito a genotipagem do vírus, algo que noutras circunstâncias demoraria mais tempo e, em muito pouco tempo, se chegou às vacinas. Agora está-se a lidar com aquilo que pode ser uma das soluções mais estáveis, que são soluções de retrovirais, que permitem o tratamento, pelo menos precoce, com muita eficácia”, salientou.
O Chefe do Governo adiantou que, em terceiro lugar, apesar de tudo, a crise da pandemia promoveu a consciência ambiental e a emergência climática que é “um grande dilema”.
“O mundo, hoje em dia, tem melhor consciência da necessidade de promover ações ambientalistas. Há aqui um ganho de consciência que se mundializa, se globaliza, fazendo com que a nossa população compreenda os problemas causados ao ambiente, de forma a defendê-lo e preservá-lo, não apenas para esta geração, mas também para futuras gerações”, concluiu.
Jornalista: Domingos Piedade Freitas
Editor: Rafy Belo




