OMS alerta para riscos do chumbo no desenvolvimento de milhões de crianças

DÍLI, 21 de outubro de 2026 (TATOLI) – A exposição ao chumbo continua a ameaçar a saúde e o desenvolvimento de milhões de crianças em todo o mundo, podendo provocar danos cerebrais irreversíveis, dificuldades de aprendizagem e alterações comportamentais, alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Perante este risco, a organização está a reforçar os esforços internacionais de prevenção, com o Brasil a assumir um papel de destaque numa iniciativa destinada a combater a contaminação.
Segundo a OMS, a exposição contínua a este metal tóxico compromete o potencial de centenas de milhões de crianças. O problema é particularmente preocupante porque os efeitos podem surgir mesmo perante níveis reduzidos de contacto e, nas fases iniciais, nem sempre são acompanhados de sintomas visíveis.
A organização alerta que a intoxicação por chumbo é evitável, mas continua a representar um problema de saúde pública em várias regiões do mundo.
Danos que podem acompanhar as crianças ao longo da vida
O chumbo é uma substância tóxica que afeta vários órgãos, sendo as crianças especialmente vulneráveis devido ao desenvolvimento ainda em curso do cérebro e do sistema nervoso.
A exposição pode comprometer as capacidades cognitivas, dificultar a aprendizagem e provocar problemas comportamentais, com consequências duradouras para o percurso escolar, o desenvolvimento e a qualidade de vida.
Nos adultos, a contaminação também pode contribuir para doenças cardiovasculares e renais. No entanto, nos menores, a possibilidade de danos neurológicos permanentes torna a prevenção particularmente urgente.
Um dos principais desafios é a dificuldade em identificar precocemente a intoxicação. Como os sinais podem não ser evidentes no início, a exposição pode passar despercebida até os danos se tornarem irreversíveis.
Tintas, cosméticos e utensílios entre as fontes de contaminação
A exposição ao chumbo pode ocorrer através de diferentes produtos e atividades do quotidiano, incluindo tintas com chumbo, utensílios de cozinha contaminados, cosméticos, especiarias e atividades de reciclagem informal. As fontes industriais constituem igualmente um risco.
A organização defende que a prevenção deve começar antes de o metal entrar no organismo das crianças, através da identificação e eliminação das fontes de contaminação e do reforço das medidas de controlo.
Apesar dos riscos conhecidos, menos de metade dos países dispõe de legislação para controlar a presença de chumbo nas tintas, uma situação que evidencia a necessidade de medidas regulatórias mais abrangentes.
“O envenenamento por chumbo não deveria estar a comprometer o potencial das crianças em 2026”, afirmou Bruce Gordon, Diretor interino do Departamento de Ambiente, Alterações Climáticas, Saúde Única e Migração da OMS.
Brasil integra estratégia internacional de prevenção
No âmbito da resposta global, o Brasil foi selecionado pela organização para receber formação intensiva e apoio técnico especializado na prevenção da exposição ao chumbo.
O país junta-se à Índia, ao Nepal e a seis países da África Subsariana numa iniciativa concebida para reforçar a capacidade laboratorial para analisar os níveis de chumbo no sangue.
O desenvolvimento destas competências permitirá melhorar a deteção da exposição, identificar precocemente as pessoas em risco e facilitar a intervenção antes que ocorram danos cognitivos irreversíveis nas crianças.
O programa integra a Iniciativa de Prevenção do Envenenamento por Chumbo, que reúne a OMS e parceiros internacionais com o objetivo de combater as diferentes fontes de contaminação.
Prevenção como prioridade de saúde pública
O organismo apela aos Governos para reforçarem a legislação, melhorarem a fiscalização dos produtos que podem conter chumbo e promoverem medidas de prevenção capazes de proteger as crianças desde as primeiras fases da vida.
Entre as medidas previstas está o lançamento, em 2027, do pacote técnico Prevent, destinado a orientar os países na adoção de estratégias mais eficazes para eliminar esta ameaça à saúde pública.
Está igualmente prevista a apresentação de um Plano de Ação Global à Assembleia Mundial da Saúde, no próximo ano, com vista a impulsionar a resposta internacional.
Notícia relacionada: OMS quer que todos os países detetem ameaças à saúde em 24 horas
Equipa da Tatoli

