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APC alerta para impactos do El Niño que pode prolongar-se até abril de 2027

Imagem/Pixabay.

DÍLI, 8 de outubro de 2026 (TATOLI) – A Autoridade de Proteção Civil (APC) alertou que o fenómeno El Niño poderá prolongar-se até abril do próximo ano, provocando uma redução da precipitação, secas prolongadas e impactos significativos nos setores da agricultura, pecuária e saúde pública.

Com base nas informações da Direção Nacional de Meteorologia e Geofísica (DNMG), a APC indicou que o fenómeno poderá começar entre outubro e dezembro de 2026.

A autoridade explicou que o El Niño poderá aumentar o risco de subnutrição entre a população, reduzir a produção agrícola e afetar a saúde dos animais de criação. Perante este cenário, a APC apelou à população para reforçar a preparação, sobretudo na gestão dos recursos hídricos e alimentares durante a estação seca.

A entidade recomenda quatro medidas principais para mitigar os impactos fenómeno: poupar água, cuidar da saúde, proteger os animais de criação e prevenir incêndios.

No que diz respeito à poupança de água, a população é aconselhada a utilizar os recursos hídricos e alimentares de forma responsável e a preparar reservas adequadas.

Para proteger a saúde, os habitantes devem consumir água em quantidade suficiente para evitar a desidratação, sobretudo quando as temperaturas aumentarem.

A APC alerta também os agricultores para a necessidade de assegurarem reservas de água e de alimentos para o gado, de modo a reduzir o risco de perdas provocadas pela seca. A população é igualmente aconselhada a não queimar resíduos de forma indiscriminada e a adotar medidas de prevenção contra incêndios, especialmente nas áreas mais vulneráveis.

APC apela ao reforço da preparação

A APC recordou que a os cidadãos devem contactar imediatamente os serviços de emergência através dos números 115 ou 3310189 caso se deparem com situações que exijam assitência da proteção civil. A população é também aconselhada a acompanhar continuamente as informações oficiais da APC e da DNMG sobre a evolução das condições meteorológicas no país.

ONU alerta para impactos do El Niño e da crise climática global

Durante uma reunião de alto nível sobre ação climática e transição justa, em Nova Iorque, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que um El Niño particularmente forte poderá agravar os impactos das alterações climáticas a nível mundial.

“O mundo enfrenta uma ameaça grave devido ao aumento das temperaturas globais, enquanto as emissões de gases com efeito de estufa continuam a aumentar, apesar dos compromissos assumidos pelos vários países para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis”, afirmou.

Segundo o responsável, o mundo está a caminhar para uma situação em que o aumento da temperatura média global ultrapassará o limite de 1,5 graus Celsius estabelecido no Acordo de Paris.

O Secretário-Geral da ONU salientou que as alterações climáticas não estão relacionadas apenas com o aumento das temperaturas, mas têm impactos diretos na vida das populações, sobretudo nos países em desenvolvimento, que dispõem de recursos limitados para enfrentar catástrofes.

Alertou que, sem medidas adequadas de adaptação, as secas podem transformar-se em crises alimentares, as tempestades podem agravar o peso da dívida dos países e as ondas de calor podem ameaçar vidas humanas.

Para enfrentar estes desafios, Guterres apelou a que o financiamento para a adaptação climática seja triplicado, que a resiliência seja reforçada em todas as políticas de desenvolvimento e que os sistemas de alerta precoce sejam alargados de modo a abranger toda a população mundial até 2027.

Apelou ainda aos países desenvolvidos para que reforcem o financiamento climático aos países em desenvolvimento, incluindo a mobilização de pelo menos 300 mil milhões de dólares americanos por ano e o aumento do financiamento climático global para 1,3 biliões de dólares americanos por ano até 2035.

Segundo o dirigente, o sistema financeiro internacional deve prestar um maior apoio aos países vulneráveis às alterações climáticas, para que possam construir infraestruturas resilientes e proteger as populações dos impactos das catástrofes.

Desde 2022, a ONU e os seus parceiros mobilizaram dois mil milhões de dólares para reforçar os sistemas de alerta precoce, tendo mais de 160 países recebido apoio direto para melhorar a sua capacidade de preparação para catástrofes.

Notícia relevante: El Niño prolongado coloca Timor-Leste entre países mais vulneráveis aos impactos climáticos

Jornalista: Cidalia Fátima/ Tradutor: Afonso do Rosário

Editora: Armandina Moniz

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