Timor-Leste defende acesso equitativo a cuidados de saúde especializados na região

DÍLI, 7 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, defendeu hoje a necessidade de se garantir o acesso equitativo a cuidados de saúde de qualidade, independentemente do local onde as pessoas vivem ou da sua capacidade financeira.
A posição foi manifestada por videoconferência, por se encontrar na Indonésia, durante a abertura da 79.ª Sessão do Comité Regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Sudeste Asiático, que decorre de 7 a 10 de setembro, em Díli.
O evento reúne o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ministros da Saúde, chefes de delegação, representantes dos Estados-Membros da Região do Sudeste Asiático da OMS, parceiros de desenvolvimento e outras entidades para discutir as principais prioridades de saúde da região.
Xanana Gusmão salientou que o acesso aos serviços de saúde deve constituir uma prioridade regional, observando que a existência de serviços públicos gratuitos não garante, por si só, que todas as famílias consigam obter cuidados atempados e adequados.
“O nosso serviço público de saúde é gratuito. No entanto, uma família num suco remoto pode ainda enfrentar uma viagem difícil, custos de transporte e tempo afastado do trabalho”, disse.
Neste contexto, o Chefe do Governo defendeu que o acesso a uma unidade de saúde deve resultar num atendimento atempado, assegurado por profissionais qualificados e com medicamentos e equipamentos adequados.
O PM destacou igualmente a importância do Programa Integrado de Saúde para aproximar os serviços das comunidades, defendendo o reforço dos cuidados de saúde primários e uma articulação mais eficaz entre os centros de saúde e os hospitais.
Xanana Gusmão sublinhou ainda a necessidade de se reforçar os recursos humanos do setor, através da formação, valorização e criação de condições para que os profissionais possam trabalhar nas zonas onde são mais necessários.
“Precisamos de profissionais qualificados em todo o sistema de saúde. Precisamos de os formar bem, apoiá-los no trabalho e criar oportunidades para servirem onde são mais necessários”, salientou.
Segundo o Chefe do Executivo, a discussão ministerial prevista para terça-feira deverá abordar, entre outras questões, os recursos humanos para a saúde e a equidade no acesso aos cuidados especializados.
O PM apelou também aos países da região para reforçarem a cooperação entre instituições de formação e hospitais, através da expansão de programas de mentoria, intercâmbio e partilha de conhecimentos, contribuindo para o desenvolvimento da capacidade nacional.
Defendeu, por outro lado, que o conhecimento e as experiências partilhados durante a sessão do Comité Regional se devem traduzir em benefícios concretos para as unidades de saúde e os profissionais que prestam cuidados diretamente às populações.
“Não deve ser negada a nenhuma pessoa a oportunidade de ter uma vida saudável por causa do local onde nasceu, onde vive ou do que pode pagar”, afirmou.
Xanana Gusmão destacou igualmente os progressos registados por Timor-Leste nesta área, nomeadamente o reconhecimento pela OMS da eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública, em 2024, e a certificação do país como livre de malária, em 2025.
Apesar destes resultados, alertou para desafios persistentes, incluindo a tuberculose, a má nutrição, as mortes evitáveis de mães e crianças e o aumento das doenças não transmissíveis.
O PM salientou ainda que a melhoria da saúde da população depende de outros fatores, como o acesso à nutrição adequada, à água potável, ao saneamento e à educação.
Xanana Gusmão considerou ainda que o encontro representa uma oportunidade para Timor-Leste aprofundar parcerias institucionais, promover intercâmbios técnicos e identificar novas estratégias nas áreas da eliminação de doenças, reforço da resiliência dos sistemas de saúde e utilização de tecnologias médicas avançadas.
Na mesma linha, a Ministra da Saúde, Élia Amaral, apresentou os progressos alcançados pelo país no setor e apontou a tuberculose, a desnutrição e as doenças não transmissíveis entre os principais desafios que continuam a exigir intervenção.
A governante atribuiu os resultados alcançados ao trabalho dos profissionais de saúde, à participação das comunidades e ao apoio da OMS e dos parceiros de desenvolvimento.
Élia Amaral defendeu igualmente o reforço dos cuidados de saúde primários, acompanhado pelo desenvolvimento da rede hospitalar secundária e especializada, com particular atenção às populações que vivem em zonas remotas e às comunidades mais vulneráveis.
“Garantir cuidados de saúde de qualidade às populações mais remotas e vulneráveis continua a ser uma prioridade”, referiu.
A ministra considerou também fundamental aumentar e qualificar os recursos humanos do setor, abrangendo médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, farmacêuticos, profissionais de saúde pública e voluntários comunitários.
Segundo Élia Amaral, o desenvolvimento das competências e a valorização dos profissionais constituem elementos essenciais para se assegurar serviços de saúde de qualidade e responder às necessidades da população.
Durante quatro dias, serão igualmente abordadas questões relacionadas com a saúde das mulheres, com as alterações climáticas, com a preparação e resposta a emergências e com o desenvolvimento dos sistemas de saúde.
Notícia relevante: Preparativos para sessão regional da OMS em Díli apresentados ao Conselho de Ministros
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

