DÍLI, 18 de junho de 2026 (TATOLI) – Os Países Menos Desenvolvidos (PMD) e a Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), que representam 44 países menos desenvolvidos e 39 pequenos Estados insulares em desenvolvimento, manifestaram preocupação com o progresso considerado insuficiente nas negociações da Conferência sobre Alterações Climáticas SB64, em Bona, Alemanha.
Num comunicado conjunto a que a Tatoli teve hoje acesso, os dois grupos afirmam que as atuais negociações não estão a corresponder à urgência da crise climática, sublinhando que vários pontos da agenda permanecem bloqueados, enquanto os impactos das alterações climáticas se agravam, com consequências diretas para vidas humanas, ecossistemas e desenvolvimento sustentável.
Os PMD e a AOSIS defendem que a limitação do aquecimento global a 1,5°C é uma questão de “sobrevivência”. Alertam contra qualquer tentativa de enfraquecer o papel da ciência na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) ou de comprometer esse objetivo.
Ambos os grupos apelam igualmente ao reforço do Programa de Trabalho sobre Mitigação, com vista a acelerar a redução das emissões, expandir as energias renováveis e melhorar a eficiência energética, de forma a manter os objetivos do Acordo de Paris ao alcance.
O documento sublinha ainda preocupações com o financiamento climático, referindo défices persistentes e uma alegada diminuição dos fluxos financeiros internacionais destinados à adaptação e resiliência. Os países defendem a implementação urgente do Novo Objetivo Coletivo Quantificado, com a mobilização de pelo menos 300 mil milhões de dólares anuais até 2035.
No domínio da adaptação, os PAM e a AOSIS pedem a aceleração da implementação do Objetivo Global de Adaptação, incluindo a operacionalização dos indicadores de Belém e o avanço da chamada Visão Belém–Adis, acordada na COP30.
Os grupos apelam ainda à rápida reposição de fundos climáticos multilaterais, como o Fundo para os Países Menos Desenvolvidos, o Fundo Verde para o Clima e o Fundo de Adaptação, sublinhando a necessidade de financiamento “acessível, previsível e em escala adequada”.
Outro ponto destacado é a necessidade de adoção urgente dos Termos de Referência para a revisão do Programa de Trabalho sobre Transição Justa, alertando que a ausência de acordo poderá comprometer a continuidade do processo após 2026.
À medida que as negociações entram na fase final, os PAM e a AOSIS instam todas as partes a demonstrarem maior ambição e vontade política, alertando que a janela de ação para limitar os impactos mais severos das alterações climáticas se está a fechar rapidamente.
O Presidente do Grupo dos PAM, Embaixador Adão Barbosa, sublinhou: “Os países mais vulneráveis não podem permitir mais atrasos. Precisamos de resultados que reforcem a implementação, mobilizem apoio, acelerem a mitigação, avancem a adaptação e mantenham os objetivos do Acordo de Paris ao alcance. A ciência é clara, os impactos já se fazem sentir e a responsabilidade de agir nunca foi tão grande”.
Ambos os grupos reiteram ainda a sua cooperação e compromisso em trabalhar por resultados mais ambiciosos nas próximas conferências climáticas, nomeadamente na COP31, na Turquia.
Notícia relevante: Díli acolhe encontro climático para definir prioridades de Países Menos Desenvolvidos
Equipa da Tatoli




