DÍLI, 28 de abril de 2026 (TATOLI) — O antigo presidente do Conselho de Imprensa (CI), jornalista e atual assessor de média do Gabinete da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno (RAEOA), Otelio Ote, faleceu no Hospital Regional de Oé-Cusse, na madrugada desta terça-feira, por volta das 03h35, vítima de doença.
Otelio Ote encontrava-se internado naquele hospital desde 11 de março.
O irmão do falecido, Constâncio Ote, manifestou profunda tristeza pela perda de “um irmão, pai e intelectual que, ao longo da vida, serviu a família e a nação através do jornalismo”.
“Sentimos a perda de uma boa pessoa na nossa família, e os jornalistas timorenses perderam também um dos seus seniores, que, desde 1987, se dedicou a esta profissão, formando muitos jornalistas timorenses”, afirmou Constâncio Ote aos jornalistas, no mortuário do Hospital Regional de Oé-Cusse.
Informou ainda que a família irá trasladar o corpo para Díli ainda hoje ou, o mais tardar, amanhã, onde será velado, permitindo a visita de familiares, amigos e profissionais de várias áreas.
As manifestações de pesar multiplicam-se nas redes sociais, com amigos e antigos formandos a lamentarem o falecimento de Otelio Ote.
“Maun Ote, obrigada por termos trabalhado juntos durante o período da ocupação indonésia no Suara Timor Timur (STT) e por termos colaborado na criação do Timor Post e do Centro de Formação de Jornalismo do Timor Post”, afirmou Santina de Araújo, uma das fundadoras do Timor Post, na sua página de Facebook.
“A sua dedicação e contributo para o jornalismo, desde o período da ocupação indonésia até à independência, serão sempre lembrados. As minhas sentidas condolências à Lita [esposa], aos filhos e aos netos”, referiu.
Também Rosário Martins, presidente da Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL), através da sua página de Facebook, considera que a morte de Otelio Ote representa uma perda significativa para a comunidade mediática nacional, sendo recordado como um profissional dedicado, mentor e uma das figuras de referência no desenvolvimento do jornalismo em Timor-Leste.
Ao longo da sua carreira, Otelio Ote esteve na linha da frente da consolidação dos órgãos de comunicação social no país, contribuindo para a criação e para o fortalecimento de vários meios de comunicação, num contexto em que o jornalismo independente exigia coragem e convicção. O seu trabalho ajudou a lançar as bases de um sistema mediático moderno.
Segundo Rosário Martins, para muitos era um “guru” do jornalismo, não pelo título, mas pelo espírito, sendo reconhecido por gerações de repórteres e editores pelo seu conhecimento, clareza e integridade. Defendia o jornalismo como serviço público e partilhava o seu saber com generosidade, sem esperar recompensa.
Salientou que a sua dedicação à promoção da liberdade de imprensa foi marcada pela “ausência de interesses pessoais, tendo pautado a sua atuação por princípios, discrição e persistência”.
O dirigente da RTTL afirmou igualmente que o legado de Otelio Ote permanece nos jornalistas que formou, nas instituições que ajudou a construir e nos valores que defendeu. Colegas de profissão sublinham que a sua ausência deixa uma marca profunda, mas o seu exemplo continuará a inspirar o setor.
Num testemunho pessoal, Rosário Martins recordou os conselhos e o incentivo constante do jornalista, mesmo durante o período de doença. “Lidera a RTTL com ética e integridade”, terá aconselhado, numa das suas últimas conversas telefónicas.
Otelio Ote nasceu em Nonikan, em Oé-Cusse, a 31 de dezembro de 1969. Concluiu o ensino primário na SDN Oe-Silo, em Oé-Cusse, em 1981, e o ensino pré-secundário no SMPN Pante-Makasar, também em Oé-Cusse, em 1984. Finalizou o ensino secundário na Escola Secundária Pública de Díli (SMAN 1 Díli) em 1987.
Licenciou-se em 1992 na Universitas Timor-Timur- atual Universidade Nacional Timor Lorosa’e, na Faculdade de Política Social, Departamento de Ciências da Governação.
Otelio Ote iniciou a sua atividade jornalística em setembro de 1988, no semanário STT. Entre 1990 e 1999, trabalhou no Harian Media Indonesia e, entre 1993 e 1994, integrou o canal de televisão SCTV. Entre 1994 e 1999, trabalhou na RCTI, ambos na Indonésia.
Após a restauração da independência, em 1999, juntou-se a antigos colegas do STT para fundar o jornal Timor Post, a 29 de fevereiro de 2000, o primeiro jornal da era da independência.
Ao longo de 32 anos de carreira, foi reconhecido como jornalista profissional com a atribuição da Carteira Profissional pelo CI, numa cerimónia realizada a 18 de dezembro de 2020, em Díli, juntamente com outros 15 jornalistas.
Equipa da Tatoli




