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Timor-Leste defende fim do embargo económico imposto a Cuba

Timor-Leste defende fim do embargo económico imposto a Cuba

O Representante da Missão Permanente de Timor-Leste junto da Organização das Nações Unida (ONU), Dionísio Babo, participou, esta terça-feira, em Nova Iorque, na 90.ª Reunião Plenária. Foto da Embaixada de Timor-Leste em Nova Iorque.

DÍLI, 28 de outubro de 2025 (TATOLI) – Timor-Leste expressou o seu firme apoio ao fim do embargo económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América (EUA) a Cuba, durante a 21.ª reunião plenária da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que decorreu, ontem, em Nova Iorque.

O Representante da Missão Permanente de Timor-Leste junto da ONU, Dionísio Babo, através um de comunicado de imprensa, reafirmou o compromisso do país com a Carta da ONU, o direito internacional e a cooperação global, ao apoiar o projeto de resolução A/80/L.6, que apela à remoção imediata e incondicional do embargo.

Na sua intervenção, o diplomata sublinhou o grave impacto humanitário que o embargo tem causado ao longo de mais de seis décadas, afetando que o povo cubano aceda a alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.

O Embaixador salientou que, de acordo com dados da ONU, as perdas provocadas por estas medidas ultrapassaram os 7,5 mil milhões de dólares americanos entre março de 2024 e fevereiro de 2025.

Dionísio Babo recordou ainda que a pandemia da Covid-19 revelou de forma clara as consequências destas restrições, limitando a capacidade de Cuba de responder às suas necessidades internas e de prestar apoio a outros países. O país fez um paralelo com a sua própria experiência na reconstrução do sistema nacional de saúde, defendendo que políticas coercivas como o embargo apenas aprofundam a pobreza, a desigualdade e o sofrimento humano.

O diplomata alertou também para a contradição do embargo face aos princípios fundamentais do multilateralismo e da não-interferência, sublinhando que tais medidas comprometem o comércio legítimo, a cooperação internacional e a capacidade regional de resposta a emergências.

Timor-Leste valorizou a sua parceria histórica com Cuba, iniciada em 2002, sobretudo nas áreas da saúde e da educação, onde o apoio cubano tem sido determinante para o desenvolvimento nacional. A mesa fonte acrescentou que o embargo compromete esses programas vitais e limita novas oportunidades de colaboração, nomeadamente nos setores das energias renováveis e da formação profissional.

O diplomata recordou que a Assembleia-Geral da ONU tem vindo a aprovar resoluções anuais a favor do levantamento do embargo desde 1992, Timor-Leste apelou à sua suspensão imediata e encorajou um diálogo construtivo entre Washington e Havana.

“O fim do embargo seria um passo essencial para aliviar o sofrimento humano, promover o desenvolvimento sustentável e reafirmar a solidariedade global e o respeito pelo direito internacional”, referiu Dionísio Babo num comunicado a que a Tatoli teve acesso.

Recorde-se que após a Revolução de Cuba de 1959, o país nacionalizou propriedades e empresas dos EUA, sem compensação considerada justa, levando os estadunidenses a restringir exportações em 1960 e em 1962 a impor um embargo total, justificando a medida pela aliança de Cuba com a União Soviética, na altura.

Em 1992, foi criada uma lei denominada Lei Torricelli para proibir que filiais estrangeiras de empresas dos EUA negociassem com Cuba, e em 1996 surgiu Lei Helms-Burton, tornando o embargo parte da lei, exigindo aprovação do Congresso para a sua suspensão.

A ONU condena anualmente o embargo, enquanto os EUA afirmam que a medida visa pressionar Cuba a adotar reformas democráticas e que respeitem os direitos humanos.

Durante o Governo de Barack Obama houve um restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países. Porém, o seu sucessor, Donald Trump, reverteu várias medidas, reforçando ainda mais as sanções.

Joe Biden, que sucedeu Trump no seu primeiro mandato, retomou parcialmente flexibilizações, mas o embargo permaneceu. A atual administração Trump mantém o embargo contra Cuba.

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Equipa da Tatoli

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