DÍLI, 29 de setembro de 2025 (TATOLI) – O cardiologista do Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) Herculano Seixas afirmou que, nas últimas décadas, Timor-Leste tem registado um aumento de doenças não transmissíveis, nomeadamente a nível cardiovascular.
O especialista aponta duas vias para a análise das doenças no país: de um lado, persistem enfermidades tradicionais, como a tuberculose, as infeções respiratórias e a desnutrição; do outro, regista-se “um crescimento alarmante da incidência de doenças não transmissíveis, em especial as doenças cardiovasculares”, que hoje representam “uma das principais causas de incapacidade e de morte prematura no país”.
A afirmação foi proferida na segunda-feira (29.09), durante um simpósio promovido pelo Ministério da Saúde para comemorar o Dia Mundial do Coração, assinalado anualmente a 29 de setembro. O evento decorreu no edifício do Ministério dos Transportes e Comunicações, com o tema “Não perca um batimento”.
Segundo os dados do Global Health Observatory, da Organização Mundial de Saúde, citados por Herculano Seixas, a taxa bruta de mortalidade por complicações cardiovasculares em Timor-Leste é de 200 por mil habitantes. As doenças cardíacas isquémicas já ocupam o terceiro lugar entre as principais causas de morte, ficando apenas atrás da tuberculose e do Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O HNGV regista 60 a 80 consultas ambulatórias diárias relacionadas com doenças cardíacas, incluindo cardiopatia hipertensiva, isquémica, doença cardíaca reumática, insuficiência cardíaca e arritmia.
Entre 2022 e 2024, o país reportou cerca de 300 casos de cardiopatia congénita. Entre os doentes encontram-se não apenas adultos, mas também crianças.
Segundo Herculano Seixas, um estudo recente aponta fatores de risco para doenças não transmissíveis, dos quais se destaca a alta prevalência de comportamentos nocivos à saúde: tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, dietas pouco saudáveis que podem contribuir para níveis elevados de obesidade, colesterol, glicemia e pressão arterial elevada.
Esses fatores, combinados com condições de vida precárias – falta de acesso a água potável, saneamento básico inadequado, sobrelotação habitacional e higiene deficitária –, agravam ainda mais o panorama da saúde cardiovascular em Timor-Leste.
O cardiologista alertou que, para inverter a tendência, é urgente adotar uma abordagem integrada, que envolva desde a promoção de estilos de vida saudáveis até o fortalecimento dos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares.
O Vice-Ministro para o Fortalecimento Institucional da Saúde, José Magno, presente no evento, referiu que as doenças não transmissíveis continuam a ser um grave problema de saúde pública em Timor-Leste. De acordo com dados da OMS, em 2021, 51% das 9.332 mortes registadas no país foram causadas por doenças não transmissíveis.
O governante afirmou que o MS “está a envidar esforços” para contrariar a situação, citando a implementação de Serviços Integrados de Saúde, que consistem, em parte, na prestação de cuidados de saúde primários.
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Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




