DÍLI, 23 de maio de 2025 (TATOLI) – O representante do Movimento de Independência Kanak, da Nova Caledónia, Charles Wea, apresentou, hoje, num Seminário Regional, coorganizado pelo Governo e pelo Comité Especial das Nações Unidas sobre a Descolonização (C24), que decorre em Díli, as preocupações e aspirações do seu povo, pedindo solidariedade e apoio da comunidade internacional à sua causa.
A Nova Caledónia, arquipélago no Pacífico Sul, é um território ultramarino francês cuja população indígena, os Kanak, luta há décadas pelo direito à autodeterminação.
Durante uma reunião bilateral com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito Freitas, Charles Wea descreveu a longa história de colonização e discriminação que o povo tem sofrido desde 1853, sob o domínio francês.
Segundo o dirigente, nas décadas de 1980, ocorreram conflitos armados entre os kanak e franceses que culminaram no Acordo de Numeá, assinado em 1998, o qual previa a realização de referendos sobre a independência.
Entre 2018 e 2021, a França organizou três referendos, nos quais a maioria dos eleitores optou por continuar a fazer parte de França, em vez de apoiar a independência. O povo kanak rejeitou os resultados do último referendo, que boicotou por ter sido realizado em plena pandemia da covid-19.
“No último referendo, apesar dos nossos apelos, o Governo francês prosseguiu com a votação, o que resultou num boicote generalizado pelo povo kanak. A maioria da população não participou, razão pela qual continuamos a rejeitar a legitimidade do resultado. Consideramos que o referendo não representou a vontade de todo o povo da Nova Caledónia”, afirmou Charles Wea à Tatoli.
Charles Wea explicou ainda que o Movimento se opõe à abertura do registo eleitoral a novos residentes oriundos de fora do arquipélago, temendo que isso dilua o peso político do povo kanak e os torne minoria no seu próprio território.
“Como sabem, a Nova Caledónia está na lista da ONU [Organização das Nações Unidas], de territórios não autónomos desde 1986. Já se passaram 39 anos e continuamos a pedir às Nações Unidas que ajudem na descolonização da Nova Caledónia”, apelou.
O representante Kanak revelou também que recentemente foi retomado o diálogo com o Executivo francês para discutir um estatuto definitivo para o território.
Wea pediu ao C24 que pressionasse o Governo francês a continuar as negociações, pois considera que esta é opção ideal para que a Nova Caledónia se torne independente o mais rapidamente possível.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




