DÍLI, 22 de dezembro de 2022 (TATOLI) – O Diretor-Executivo do Serviço Autónomo de Medicamentos de Saúde (SAMES), Santana Martins, destacou a necessidade de transformar o instituto numa empresa pública para garantir stocks de medicamentos e contribuir para os cofres do Estado.
“Queremos que o SAMES seja transformado numa empresa pública, o que vai garantir as reservas de medicamentos. Além disso, teremos também a oportunidade de realizar atividades comerciais para arrecadar receitas para os cofres do Estado e evitar a dependência do Fundo Petrolífero”, afirmou o dirigente, em Campo Alor, Díli.
Santana Martins recordou que, desde 2004, os dados do SAMES indicaram falhas nos stocks de fármacos, por isso pediu ao Governo que alocasse um orçamento suficiente para iniciar as atividades comerciais.
“Assim, o hospital nacional, os centros de saúde e hospitais de referência precisam de ter o seu próprio orçamento para aquisição de medicamentos no SAMES”, acrescentou.
O responsável referiu ainda que se o SAMES se transformar numa empresa pública, poderá facilitar a aquisição regular de medicamentos, assegurando as reservas de fármacos em Timor-Leste.
“A empresa pública é a única opção para acabar com a rutura de stock de medicamentos no país, contudo a decisão do estatuto do SAMES, como instituto público ou empresa pública, depende do Governo”, frisou.
O responsável referiu que, para garantir as reservas de medicamentos no país, o Executivo deve investir 31 milhões de dólares americanos.
“Todas as farmácias privadas e públicas, hospitais e clínicas devem comprar medicamentos no SAMES, para ajudar a instituição a arrecadar receitas. De acordo com a legislação, o SAMES é o único fornecedor de medicamentos no país”, explicou.
O dirigente recordou ainda que, em 2004, o SAMES tinha o estatuto de empresa pública, mas em 2015, no governo do ex-Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, foi transformado em instituto público.
A este propósito, o Conselheiro de Política da Organização Mundial de Saúde (OMS), Vinay Bothra, realçou que é necessário alocar mais orçamento para assegurar o stock de medicamentos e garantir que todas as pessoas recebem medicamentos de qualidade.
“Mas, tal como a Ministra da Saúde, Odete Belo, tinha dito, o dinheiro é uma parte e a gestão é outra. Portanto, a estrutura de gestão do SAMES e dos recursos humanos também precisa de ser reforçada”, acrescentou.
Jornalista: Domingos Piedade Freitas
Editora: Isaura Lemos de Deus




