DÍLI, 15 de abril de 2020 (TATOLI) – O Presidente da República timorense, Francisco Guterres Lú Olo, apresentou condolências à família enlutada do médico norte-americano Daniel Murphy, que faleceu vítima de uma paragem cardíaca, segundo o comunicado de imprensa da Presidência da República a que a Tatoli teve acesso, hoje, em Díli.
“Sinto uma enorme tristeza por ver partir de repente o médico Daniel Murphy”, cita o comunicado.
Aos seus trabalhadores e colaboradores, o Chefe de Estado expressa a sua gratidão e o seu sentimento de dor. “Apelo a que sejais dignos deste notável legado do Dr. Dan Murphy. Está nas vossas mãos e eu confio em vós! À família enlutada, nos Estados Unidos, sua terra natal e em Timor-Leste, sua terra de coração, as nossas profundas condolências e o nosso muito obrigado!”, refere.
Daniel Murphy nasceu a 23 de setembro de 1944, em Iowa, nos Estados Unidos da América. Foi um homem que manifestou sempre preocupação com a justiça social, acabando por fazer clínica médica junto de imigrantes e trabalhadores pobres no seu país.
No final da década de 70, Dan Murphy parte para Moçambique, levando consigo a sua família, para ajudar a modernizar a medicina nas áreas rurais. Foi durante a sua permanência neste país africano que tomou contacto com o genocídio que estava a acontecer em Timor-Leste.
Decidiu, então, agir assim que Suharto apresentou a sua demissão, dando lugar a uma maior abertura do território ocupado. Assim sendo, em 1998, parte rumo a Timor-Leste, com uma pequena mala e uma bola de basquetebol.
Nos dois primeiros anos da sua estadia em Timor-Leste, prestou cuidados médicos às vítimas da crueldade dos ocupantes, expondo-se, desta forma, ao sofrimento. A sua dedicação e resiliência contribuíram para salvar inúmeras vidas.
Após a independência, o médico norte-americano viria a construir a Clínica do Bairro Pité, mais conhecida como a “clínica dos pobres”. Milhares de timorenses receberam anualmente tratamentos médicos nesta clínica.
Devido ao seu trabalho e dedicação, Daniel Murphy foi condecorado com o Prémio Sérgio Vieira de Mello e com a Medalha da Ordem de Timor-Leste.
Jornalista : Cipriano Colo
Editór : Cancio Ximenes




