Mais de 11 mil candidatos realizam prova cultural para ingresso na PNTL

Díli, 8 de outubro de 2027 (TATOLI) — Um total de 11.391 candidatos à Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) realizou, esta quinta-feira, a prova cultura referente ao processo de seleção para o preenchimento de 750 vagas.
O exame decorreu nas instalações da Comissão da Função Pública (CFP), em Matadouro, Díli, sendo esta a primeira vez que a avaliação é realizada através de um sistema informático.
A prova teve início às 7h, com os candidatos do município de Aileu a serem os primeiros a entrar na sala. Apesar de alguns participantes terem chegado atrasados, a organização autorizou a sua entrada.
A cerimónia de abertura foi presidida pela Segunda-Comandante-Geral da PNTL, Natércia Martins, e contou com a presença de representantes da CFP, do Júri de Recrutamento, da Comissão Anti-Corrupção (CAC), da Fundação Mahein, da Presidência da República, do Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), do Parlamento Nacional e do Ministério do Interior.
Sistema eletrónico para reforçar a transparência
O Presidente da Comissão e do Júri de Recrutamento da PNTL, José Soares, afirmou que a introdução do sistema informático visa corrigir irregularidades registadas em processos de recrutamento anteriores.
A prova, inicialmente prevista para 22 de setembro, foi adiada para permitir ajustamentos ao enquadramento legal relativo à classificação mínima exigida. O Despacho Ministerial n.º 39/2026 estabelecia inicialmente uma classificação mínima de 70 valores, mas, após análise da legislação e consultas à CFP e ao Ministério da Educação (ME), a Comissão propôs a redução para 67 valores.
Os candidatos que não atingirem a classificação mínima serão automaticamente eliminados. O sistema permite ainda consultar os resultados individualmente no ecrã, ficando os registos guardados eletronicamente, dificultando eventuais tentativas de manipulação.
O exame abrangeu 80 perguntas sobre História, Matemática, Geografia, Tétum, Português e Constituição, matérias preparadas conjuntamente pelo ME e pela PNTL.
Os resultados serão impressos e afixados nas esquadras e nos comandos municipais, dispondo os candidatos de cinco dias para consultar as listas.
Fundação Mahein elogia digitalização do recrutamento
O Diretor-Executivo da Fundação Mahein, Nelson Belo, considera que a introdução de exames eletrónicos representa um passo importante para a modernização dos procedimentos de seleção da PNTL.
O responsável felicitou as instituições envolvidas na implementação do sistema e defendeu que a avaliação por meios digitais pode reduzir a influência de relações pessoais e favorecer uma análise mais objetiva das capacidades dos candidatos.
Nelson Belo ressalvou, contudo, que a digitalização não garante, por si só, uma transparência absoluta, embora contribua para reforçar os mecanismos de controlo e de prestação de contas.
A Fundação Mahein apelou ainda a outras instituições para que adotem modelos de avaliação semelhantes, sublinhando a importância de corrigir as falhas identificadas em processos de recrutamento anteriores.
Recorde‑se que, no ano passado, foram selecionados mais de 12 mil candidatos para preencher 400 vagas, mas o processo foi anulado pelo Governo em março de 2026, devido a suspeitas de irregularidades. O número de candidatos foi posteriormente reduzido para mais de 11 mil, após a eliminação dos que não cumpriam os requisitos.
Dois meses depois, o Governo anunciou a abertura de 750 vagas, às quais concorreram os mesmos mais de 11 mil candidatos.
Notícia relevante: PNTL vai recrutar mais 750 agentes
Jornalista: Natalino Costa/Tradução: Equipa da Tatoli
Editora: Julia Chatarina

